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Séries de TV

How I Met Your Mother – 7×13: Tailgate

How I Met Your Mother faz bem ao coração. E ao fígado.

Não vou ter tempo de retomar essa sétima temporada de HIMYM até agora. A ideia era fazer um texto só sobre isso, mas acho que essa ideia vai ficar para as outras séries que ainda não retornaram do hiato. De qualquer forma, vou resumir o que estou achando de tudo até aqui: há algum tempo eu não via uma série veterana, com tanto tempo em exibição, se manter tão constante. HIMYM teve dois ou três episódios mais fracos nessa temporada, mas, em geral, tem mantido um nível de qualidade incrível, demonstrando uma excelente evolução depois da já ótima sexta temporada. Mas vamos ao presente.

Tailgate apresenta mais uma daquelas histórias que, apesar de separar os personagens em tramas paralelas, possui um fio condutor para a situação vivida por cada um deles. Pode-se dizer que o tema central aqui é derivado de Arquivo X. Ok, não que o episódio tenha trazido alienígenas invadindo Nova York. Mas tirando a parte em que Marshall tenta fazer Lilly crer nos “Enigmas do Místico”, assim como Mulder fazia com Scully, todos eles estão precisando de algo em que acreditar.

Robin, pra variar, está em um momento conturbado de sua vida, não só amorosa como profissional, e anda precisando de uma boa dose de confiança pra sair da estagnação em que se encontra. Lilly e Marshall, como disse, ficam em seu duelo pela crença em alguma força superior, o que não deixa de servir de analogia para a falta de confiança de Lilly no próprio pai, uma fé que ela precisa recuperar. Por fim, Barney e Ted se juntam em seu desamparo emocional, buscando, mais uma vez, alguma ideia mirabolante para se apegar e preencher o vazio das suas atuais faltas de meta e perspectiva de relacionamento (o que já foi mostrado no 7×11: The Rebound Girl).

É bom dar essa visão do trajeto de cada um deles no episódio para poder dizer: isso é coisa de roteirista que domina a história que tá contando, meu povo! Não tem nada que prove melhor a qualidade de uma série do que um roteiro que apresenta um tema central que se espalha e se destrincha pelas tramas sem precisar ser explicitamente esfregado em sua cara. Isso, Chuck Lorre, se chama sutileza.  E, logicamente, a série faz isso do seu jeito gostoso de ver, com mais de um personagem narrando os acontecimentos, com cortes dinâmicos e a galhofa que os roteiristas conseguem tirar justamente dessa ideia da história estar sendo contada por diferentes pontos de vista.

Esse tema apresentando, além do mais, é perfeitamente aproveitado pela ocasião do episódio: o Ano Novo, hora de se renovar, de ter novas esperanças e aquelas outras coisas de propaganda de panetone. Só que em HIMYM isso não soa como um texto publicitário mal feito. É coeso, é engraçado, é acolhedor e emocionante. A cena final, de Lilly com o pai, mesmo que não seja uma grande subversão de expectativa, mesmo que não seja uma surpresa inesperada, nos fazer sorrir e ser feliz por esses personagens.

É. HIMYM já fez meu ano começar bem.

Outras observações:

– Me sinto obrigado a comentar as belas histórias dos “Enigmas do Místico”. Fiquei muito intrigado com a incrível coincidência de duas pessoas fazerem sanduíches parecidos no mesmo instante.

– Mais uma vez em relação à história de Barney e Ted, interessante ver eles serem aproximados nessa condição mais uma vez. Lembre-se que no episódio 7×03: Ducky Tie, Ted do futuro termina dizendo que nem ele, nem Barney, nem Robin percebiam ainda como a amizade dos três era venenosa para aquele relacionamento. Ver a dinâmica deles dois juntos é muito bom para avaliar o impacto que um possível rompimento pode ter na história.

– A atitude de Kevin para com Robin me fez sentir verdadeira afeição pela primeira vez pelo personagem. Agora sinto pena de quando ela der um pé na bunda dele.

– Só uma série como HIMYM poderia fazer uma homenagem tão respeitosa a outra sobre amigos que passam tempo num bar: Cheers (que foi ao ar de 1982 a 1993 e criou personagens como Frasier, que depois teria uma série própria). A música-tema do Puzzles, que é uma paródia da abertura de Cheers, é um espetáculo a parte.

– Ted não sabe o que mudou em relação a Ulysses, de James Joyce: se foi o livro ou ele próprio.

– E, claro, mais um daqueles toques emocionais que só HIMYM pode proporcionar. Exatamente “um ano” depois da morte no episódio 13 da sexta temporada, lá está Marshall para ver o futebol americano com o pai.

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