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Séries de TV

Previously on: The Vampire Diaries – A 3ª Temporada até agora

Para resgatar a honra de Drácula.

Tudo bem, eu tendo a ser hiperbólico. E verdade seja dita: os vampiros de Vampire Diaries também não têm nada de assustador ou asqueroso como Drácula. Eles fazem parte da nova tendência de purpurinamento do mundo: são jovens, belos, pegadores e cheios de draminhas emocionais. Mas nem por isso são menos sanguinários. O que em tempos de vampiros que brilham e pulam em árvores, já é uma bênção. Ainda mais depois que até True Blood virou um folclore sem pé nem cabeça e reduziu seus personagens já reduzidos a babacas ninfomaníacos sobrenaturais (o que não é de todo mal, mas essa 4ª temporada da série foi uma das piores coisas pelas quais meus olhos passaram em 2011, ao lado de cascas de pus, cocô de cachorro e outros dejetos). Então, sim, é hora de deixar o preconceito trazido por Crepúsculo de lado, ignorar o título juvenil da série e admitir que Vampire Diaries não só sabe aproveitar bastante a mitologia dos vampiros como também é um grande exemplo de TV de qualidade.

No caso de Vampire Diaries, nem é preciso ser um aficionado pelos chupadores de sangue para assisti-la. Eu, particularmente, nunca me interessei por histórias de vampiros e afins. É uma mitologia tão reaproveitada e adaptada que nem sempre me parece valer o esforço (Stephanie Mayer está aí mais uma vez para comprovar isso). Pra ser bem pedante, prefiro dizer assim: gosto de boas histórias, independente do que seja. Comecei a ver True Blood única e exclusivamente por causa de Alan Ball, responsável por escrever Beleza Americana e por criar uma das melhores séries da última década, Six Feet Under, mas até ele tem me decepcionado ultimamente.

Então, qualé a de Vampire Diaries? Por que eu gastei dois parágrafos (e o seu tempo) pra dizer isso tudo? Para os recém-iniciados na série, é praticamente necessário fazer uma defesa de tese de modo a convencê-los que aqueles que já a assistem não perderam por completo sua sanidade. Sim, no começo, na primeira temporada, é difícil aguentar. Mas depois o negócio toma jeito. A série é, em uma palavra, viciante. Eles sabem aproveitar como poucos o formato de folhetim que a trama possui, com mais reviravoltas dentro de um episódio desde Lost. Sim, eu comparei a série a Lost. Reflita. Mas, na verdade, as duas séries possuem apenas esse aspecto em comum: a capacidade de colocar plot twists bem encaixados que, dentro da estrutura da história, nunca parecem forçados, tal é o domínio dos roteiristas sobre aquilo que têm em mãos.

Vampire Diaries foi uma das poucas séries que assisti no último ano que me fez realmente questionar a capacidade dos roteiristas de conseguirem superar a história que tinham criado até a segunda temporada. Me parecia pouco provável que eles conseguissem melhorar ou manter o nível frenético de acontecimentos na terceira temporada. E essa dúvida não era algo ruim. Ao contrário, mostra que eles aparentemente haviam alcançado seu patamar criativo, estendendo a mitologia e as reviravoltas ao seu limite. Mas qual não foi minha surpresa ao constatar que os escritores ainda tinham muito a contar.

A 3ª temporada começou um pouco mais morna, com os velhos plot twists da série parecendo, pela primeira vez, um pouco forçados, enfiados só para chocar. Os dois primeiros episódios foram mais uma preparação para o que estava por vir, ao contrário da 2ª temporada que já havia começado com uma trama movimentada. Foi então que veio o 3×03: The End of the affair, contando as coincidências nas vidas de Klaus e Stephan. Para um programa adolescente, Vampire Diaries sabe fazer episódios de flashback como poucos seriados de peso sabem. Ela nunca perde a mão do passado do personagem e dificilmente deixa o espaço aberto para um furo de roteiro. Essa é uma das grandes armadilhas das séries que remontam em muitos anos o background da sua história. Mas aqui isso não acontece. Ao invés disso, ela acrescenta novas camadas sobre o que já sabemos a respeito dos personagens, nos levando a reavaliá-los. Outro excelente exemplo que veio um pouco depois na temporada foi o 3×08: Ordinary People. Aqui você descobre toda a origem da família de Klaus e a verdade sobre a criação dos vampiros e lobisomens. Vampire Diaries não só criou para si uma mitologia própria, com uma das mais inventivas histórias para a origem dos vampiros, como novamente nos fez descobrir um novo lado daqueles personagens. A capacidade dela de transitar e mudar o ponto de vista e a opinião do espectador com algumas poucas cenas, ou com um episódio, é um trabalho que exige um grande planejamento e, claro, colhões.

Por isso a série também é capaz de entregar episódios como o 3×05: The Reckoning, o 3×07: Ghost World e o 3×09: Homecoming, que encerrou a primeira parte da temporada. Esses são aqueles episódios repletos de acontecimentos, feitos para que você nem consiga respirar. Particularmente acho que é preciso muita habilidade pra criar uma trama como a de The Reckoning, que mantém a tensão do começo ao fim e uma faca no pescoço de TODOS os personagens até o momento final. Porque sim, essa é uma daquelas séries em que os personagens morrem e os roteiristas não têm problema em descartá-los (claro que a trama dos fantasmas nessa temporada tirou um pouco da representatividade disso, mas vamos deixar pra lá). Enfim. É empolgante acompanhar, e isso já é bom o bastante.

Claro que uma série como Vampire Diaries, produzida por um canal pequeno como o CW e criada mais especificamente para o público adolescente, traz alguns ranços e problemas próprios de sua concepção. De repente você vai notar que um personagem sumiu de um episódio pra outro. E não, não foi porque ele morreu. A série, às vezes, convenientemente esquece algumas tramas, simplesmente porque nem todas as histórias paralelas podem ser abordadas em cada novo capítulo. Outro motivo para isso é o cachê. Com muitos personagens, vêm grandes somas de dinheiro a pagar e, como eu disse, a emissora é pequena. Outro incomodo para os que acompanham a série são, justamente, os dramas adolescentes. Enquanto você tem personagens bem trabalhados como Damon, Elena, Klaus e Caroline, você também precisa acompanhar princesinhas dramáticas como o irmão de Elena (Jeremy) e Stephan. Se por um lado existe uma guerra milenar entre raças sobrenaturais, por outro você tem que aguentar, de vez em quando, as picuinhas dos relacionamentos e dos ciúmes. A 3ª temporada, por exemplo, parece não ter acertado ainda a história de Jeremy e, por incrível que pareça, parece não ter a coragem necessária para eliminar o personagem. O mesmo acontece com Bonnie, que não possui uma história própria profunda o suficiente como a dos demais e, portanto, dá a impressão de total inutilidade. Mas vamos dizer que isso são meros detalhes.

Mesmo que nem tudo seja perfeito, é preciso reiterar: Vampire Diaries continua te pegando pela jugular. Até agora a 3ª temporada provou que ainda é possível reinventar a série, mesmo que tanta coisa tenha acontecido em sua história em apenas dois anos. Então, aproveite, porque a série retorna hoje, dia 5 de janeiro, e a partir de amanhã vou começar a cobri-la por aqui, e vai ser difícil ficar um dia sem assistir.

Afinal, Vampire Diaries é isso: narrativa episódica em seu estado mais puro.

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