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Séries de TV

The Vampire Diaries – 3×10: The New Deal

Como administrar uma crise.

Existe um certo grau de cumplicidade entre os espectadores de Vampire Diaries e seus roteiristas. Ok, qualquer programa que se preze estabelece esse acordo. Mas aqui o contrato vale a pena. Se por um lado nós temos que fazer concessões à própria estrutura da série, como por exemplo, em relação à total ausência de Caroline nesse episódio, quando justamente a lealdade de seu namorado, Tyler, está sendo questionada pelos demais (afinal, sabemos que, sim, não haveria espaço para ela aqui). Por outro, confiamos que o resultado corresponderá às nossas expectativas e tudo será conduzido de modo natural, respeitando a lógica dos últimos acontecimentos. E mesmo que o episódio não seja “aquele” que atira pra todos os lados, que é frenético e completamente incessante, você pode ter certeza de que ele ainda será envolvente.

The New Deal é exatamente assim. Ele tem o papel de nos reinserir numa história que, em apenas 9 episódios, desenvolveu pelo menos três arcos narrativos. É muito para digerir. Quando você começa a assistir o episódio, seu cérebro leva um tempo para rememorar o ponto em que a trama se encontra. Mas Vampire Diaries é sempre precisa ao te lembrar do que está acontecendo sem ser didática e superexpositiva. Os diálogos vão fazendo sua parte, e aqui os temores e paranóias são precisamente expressados, afinal, tem um monstro milenar à solta, e ele anda meio puto.

Apesar de Vampire Diaries não ser exatamente uma série, digamos, de terror (acredito que ela se enquadre mais no drama adolescente), ela consegue ser mais tensa que muita série por aí que acha que faz você se borrar (olá, American Horror Story!). Ela sempre faz questão de mostrar que o perigo é iminente, deixando claro em poucos instantes que todos os personagens correm perigo. E com todo o problema de Klaus para lidar, após a engenhosa tentativa de assassiná-lo falhar, a série ainda estabelece novas dinâmicas entre os personagens nessa segunda metade da temporada.

Como o título do episódio indica, The New Deal é sobre uns dos elementos de roteiro que a série sabe melhor trabalhar: as barganhas e negociações. Seja entre Damon e Stefan, Elena e Klaus, Bonnie e Stefan, o episódio é quase uma reafirmação do que a série tem de bom, sem precisar ser extravagante como em seus melhores capítulos. Acho que o acordo tácito de colaboração entre Damon e Stefan, e todas as cenas dos dois juntos, foram bem colocadas para dar mais sentido à decisão deste último de salvar Klaus. Confesso que ao final do 3×09: Homecoming eu tive um pouco de dificuldade em aceitar que Stefan e Katherine haviam tentado sabotar o plano de matar o maior filho da puta que apareceu na série só para salvar Damon (ainda mais quando isto veio de Katherine, que sempre teve preferência pelo ex-irmão bonzinho). No entanto, o confronto entre os dois aqui acaba servindo para reforçar a dependência destrutiva que um tem do outro.

Novamente em seu papel de também acertar os rumos da história para um novo começo dentro da temporada, o episódio consegue lidar com um dos problemas mais eminentes do seu roteiro: Jeremy, o emo sem causa. Sua participação até agora se resumiu a ver fantasmas e trair a namorada que o ressuscitou com uma vampira-defunta. É muita babaquice num personagem só.

Às vezes é necessário compreender, em qualquer série, que vez ou outra os roteiristas precisam empurrar os personagens aos seus limites para que eles evoluam de alguma forma. Só que mesmo que Jeremy já tenha sido levado a situações que o fazem reavaliar sua posição de rebelde retardado, ele sempre acaba voltando para o mesmo estado de amargura exagerada. E, mais uma vez, assim ele está. Mas o episódio acerta em colocá-lo para tomar decisões sensatas, como cortar fora a cabeça de um híbrido. Além disso, os roteiristas assumem que, já que não possuem a coragem necessária para matá-lo, pelo menos utilizaram algum artifício para afastá-lo por enquanto. Claro, eu sei, é um risco colocá-lo novamente para ser hipnotizado, sob a possibilidade de termos que novamente ver sua revolta ao descobrir tudo. Mas confio que os roteiristas não pensam em repetir uma mesma trama mais uma vez. Ou quem sabe ou só estou me iludindo?

Ao fim, The New Deal é isso: nada menos que um bom retorno. É bom ver que a série está sempre buscando um direcionamento para os personagens, e até Bonnie e Alaric parecem que vão ganhar o que fazer daqui pra frente. Além do mais, mesmo que seja um dos aspectos da série que eu menos goste, o romance de Damon e Elena é uma das relações melhor trabalhadas pela série até hoje, já que não chega a ser tão melosa e “crepusculiana” como quando era antes entre ela e Stefan.

Então regozijem-se, garotos e garotas, pois os verdadeiros vampiros voltaram.

Outras observações:

– Me sinto obrigado a comentar o contínuo trabalho de mostrar a nova “perversidade” de Stefan, com certeza uma das melhores evoluções desta temporada. Nunca fui daqueles que o achavam completamente insuportável antes, afinal, mesmo que não fosse Damon, ele também possuía uma certa malícia. Mas também é verdade que Stefan sempre foi um personagem de um tom só, o que agora passa a ser um pouco desconstruído.

– Damon, sacana como sempre: “Estamos na véspera do Klausmaggedon e você aí fazendo dever de casa?”.

– O anel do Alaric falhou. Oh! E daí?

– Porra, Klaus, libera a irmã aí, velho. Uma pena não poder ver Rebekkah morder alguns pescoços.

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Discussão

2 comentários sobre “The Vampire Diaries – 3×10: The New Deal

  1. No 3×09: Homecoming também tive a impressão de que Katherine convenceu Stefan de roubar os caixões de Klaus. Me deu a entender que os dois, Katherine e Stefan, sabem alguma coisa a mais e tal e ele não contou tudo para Damon neste 3×10.

    Outra coisa que ficou totalmente no ar e eu tô esperando até hoje: como Katherine se safou daquela bela mordida de Mikael?

    Bom, Jeremy vai dar uma trégua pra gente, pelo menos.

    Publicado por Carol | 07/01/2012, 16:33
    • Tudo é possível quando se trata de Katherine.Ela fácil mente mexeria na cabeça do zé mané.
      Quanto à mordida… bom, ela só serviu de café da manhã pra ele. Mikael não seria capaz de matar ela com um chupão no pescoço.

      Publicado por eduardoross | 07/01/2012, 21:09

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