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Séries de TV

Previously on: Fringe – A 4ª temporada até agora

Imagine as impossibilidades.

Fringe faz parte do seleto grupo de séries que retornaram em 2011 com a difícil missão de superar uma excelente temporada. Como comentei na crítica de Vampire Diaries, ao mesmo tempo que isso gera uma grande expectativa (que pode resultar em frustração e desapontamento), também indica que o seriado atingiu grande prestígio junto à crítica e ao público. No caso de Fringe esse reconhecimento ganhou forma a partir da metade da sua 2ª temporada, quando a série começou a abandonar sua estrutura mais procedural de “caso da semana” e abraçou um desenvolvimento mais pleno de suas tramas. Afinal, o mundo não precisa de mais CSIs. Com a 3ª temporada tudo que foi construído tomou novas proporções e os roteiristas levaram as possibilidades criativas da série ao seu limite, criando um universo mitológico vasto, com realidades paralelas, máquinas do apocalipse, viagens no tempo e tudo de feliz que você pode encontrar numa ficção científica. Isso sem contar que poucas séries do gênero conseguiram trabalhar tão bem a evolução de seus personagens, que ainda tem o adicional de contar com ótimos atores nos papéis principais.

Pois é. A 4ª temporada vinha com uma grande responsabilidade. Ela tinha um complicado cliffhanger para resolver, montado claramente para expandir ainda mais os elementos de ficção científica que a série poderia explorar. O sumiço de Peter (que foi, sim, abrupto) foi um grande risco assumido pelos roteiristas. O que é excelente, afinal qualquer história precisa de novo direcionamentos. Uma série que busca ousar em cima de sua própria fórmula só tende a crescer e se renovar, evitando que fique repetitiva e cansativa. Entretanto, é também necessário um planejamento para essas reviravoltas. Por isso Lost era tão bem sucedida: a cada temporada ela conseguia abordar novos elementos de sua mitologia (diga-se de passagem, não era apenas isso que a tornava bem realizada).

Fringe até fez seu dever de casa ao criar o clima para a premissa dessa 4ª temporada. A ideia do “sumiço de Peter” tinha acontecido por meio de uma cena enigmática, com direito a Observadores e tudo mais. Mas a despeito desse início de temporada ter sido eficiente ou não, em um fenômeno raro, parte dessa trama foi prejudicada por fatores exteriores ao próprio seriado. O fato é que desde muito cedo recebemos confirmações, durante a divulgação do 4º ano, que Peter não só retornaria, como isso aconteceria logo, tirando grande parte do impacto sobre a sua volta (o que já aconteceu no episódio 4×04: Subject 9). Aqui vale um adendo: não sou do tipo que vasculho notícias das produções que acompanho, pois evito ao máximo os spoilers. Mas para quem acompanha notícias de seriados em geral, acaba, vez ou outra caindo em armadilhas e o retorno de Joshua Jackson para essa temporada foi amplamente comentado, surgindo logo em diversos sites do gênero. Mas, ok, não vou considerar isso como um demérito, uma vez que atinge apenas uma parcela dos espectadores da série. De todo modo, o início dessa 4ª temporada, afinal, atendeu ao que era esperado?

Mas o que era esperado? Bom, em comparação à 3ª temporada, pois era tudo o que tínhamos para nos apegar, imaginava-se que a 4ª iria começar rompendo tantas barreiras quanto sua antecessora, já que estava armada mais uma situação que iria mexer com a realidade da série. Mas o episódio 4×01: Neither Here Nor There inicia tudo com uma cautela talvez excessiva. As mudanças esperadas pelo desaparecimento de Peter não são devastadoras como se pensava. Isso, em uma primeira análise, soa como um receio por parte dos roteiristas de alterarem muito sua história a ponto de perder o parco público que a série já tem. O que não combina com a decisão ousada que encerrou a última temporada.

Algo assim pode ser um desapontamento, ainda mais quando essa tendência se repete nos episódios seguintes, com as mudanças relativas a essa nova realidade se resumindo estritamente à vida dos personagens principais. Entretanto, Fringe amadureceu. Suas tramas não servem apenas para o nosso deleite da ficção científica e do absurdo. Os casos da semana já atendem muito bem a esse lado da série. As tramas servem como medida para os dramas pessoais de cada um, sobretudo em relação à Olivia e Walter. As grandes perguntas “científicas” e mitológicas, por enquanto, parecem estar sendo deixadas para depois. Por ora podemos contemplar a nova fragilidade em que se encontram os demais, e graças a isso essa temporada já conseguiu entregar dois dos episódios que trazem o que a série tem de melhor: o 4×02: One Night in October e o 4×06: And Those We’ve Left Behind. Estes são, sem dúvidas, os pontos altos da temporada até o momento. Eles reforçam muito mais o que representa a ausência da presença de Peter na vida dos personagens do que supostas alterações naquela realidade. Por meio desses dois casos, é muito mais fácil para o espectador captar como esse acontecimento pode reverberar na trama.

Só que tudo reverbera demais até aqui. Não deixa de ser frustrante constatar que esse princípio de temporada foi nada menos que redundante. São muitos episódios reafirmando condições e fatos que nós já sabemos. Ok, pessoal, já deu pra entender que Peter é importante. A gente gosta dele também. Mas não dá pra ficar insistindo num mesmo tema em episódios seguidos. Lógico que é totalmente plausível você ter uma temática geral para uma temporada. Entretanto, Fringe fala, por exemplo, da ideia de solidão em pelo menos três momentos: no 4×03: Alone in the World (o título já diz tudo); no 4×02: One Night in October e no 4×07: Wallflower. Se eu quiser, até posso enxergar esse mesmo tema nos demais episódios transmitidos até agora. E tudo isso só para servir de analogia para a vida dos personagens. É um pouco demais, não?

Esse “andar em círculos” ainda tem outra consequência para quem investe seu tempo na série. Após sete capítulos, ainda não sabemos o que fazer com as informações que recebemos sobre as mudanças nessa nova linha do tempo. Claro, a paciência é uma virtude, amigos. Lost devia ter me ensinado isso. A grande questão é, que ao se dedicar em apresentar uma realidade diferente, e que nem é tão diferente assim, Fringe nos leva a pensar sobre o que será feito disso daqui pra frente. Mais até: nos leva a ponderar o porquê de estarmos passando tanto tempo com essas versões dos personagens que não são exatamente aqueles que conhecíamos. Afinal, são eles que valerão a partir de agora, negando, assim, o desenvolvimento estabelecido ao longo de três temporadas? Ou essa linha do tempo se tornará um terceiro universo dentro da série? Mesmo que essas perguntas sejam instigantes, o que é uma das partes mais estimulantes de Fringe, é inevitável achar que a série corre o risco de eliminar por completo parte do que foi criado na história. A impressão é de um relativo erro de cálculo por parte dos roteiristas, que nem ao menos conseguiram dar indicações dos motivos de tanto investimento nessa trama.

Para nossa sorte, Fringe é sutil. Seus episódios são uma delícia de assistir (sim, Anna Torv, estou falando com você também), e toda essa aparente enrolação pode ser recompensadora em longo prazo. Já tivemos aqui episódios que se dedicaram também a abordar novos elementos da mitologia, no caso do 4×05: Novation, que aprofunda os shapeshifters 2.0, e isso parece ser algo importante para a temporada. E apesar da primeira parte desse 4º ano ter terminado com um cliffhanger mal programado, mas não menos curioso, tudo por culpa das confusões da grade de programação da FOX e seu maldito baseball, as expectativas são sempre grandes para uma grande série.

Nesta que pode ser a “temporada de Peter”, ainda dá tempo de acreditar que os roteiristas ousarão ir ainda mais além, sacrificando novamente sua zona de conforto e procurando novos caminhos.

O que faz mais sentido se considerarmos que essa pode ser a temporada final.

Fringe volta essa sexta, 13 de janeiro, e eu continuarei comentando-a por aqui.

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