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Séries de TV

The Vampire Diaries – 3×11: Our Town

Stephan: Full Trhottle.

Enquanto Stephan dirigia o carro em alta velocidade e a trilha sonora aumentava, se misturando aos gritos de Elena e Klaus, eu me regozijava por dentro ao notar que, mesmo sabendo que ele não atiraria o carro da ponte, Vampire Diaries havia me ensinado a sempre esperar o pior. Nós já fomos acostumados de tal forma com a imprevisibilidade dos atos dos personagens, que cenas como essa funcionam perfeitamente para criar aquela tensão eminente. E, nesse episódio, tudo isso foi possível mais uma vez graças a, quem diria, Stephan.

Como poucas séries, Vampire Diaries sabe construir suas histórias mostrando constantemente novas camadas de conflito para uma situação já posta, de modo que dificilmente um novo episódio representa um passo atrás. Por isso, Our Town é uma evolução natural do episódio da semana anterior, e apresenta facetas mais sinistras na disputa entre Klaus e Stephan. E, como já disse, foi devido, principalmente, a essa tensão que as coisas seguiram de forma orgânica aqui.

Todos sabemos que Paul Wesley não é lá um grande ator. Suas expressões faciais parecem às vezes esculpidas no cimento. Mas essa sua nova versão bad ass tem servido melhor às suas limitações, já que na hora em que precisa demonstrar emoção, dor e tristeza ele parece estar com uma severa prisão de ventre, além de essas mudanças serem bem-vindas ao personagem. Por isso, fora a já comentada cena do carro, outro momento que traz uma alta sensação de perigo acontece quando Stephan vai confrontar Klaus em sua própria casa. Os sorrisinhos sarcásticos são um detalhe a parte. Tudo anda bem nesta cena em grande parte por dois motivos. Primeiro, Stephan acredita cada vez mais que tem menos a perder. Segundo, Klaus é um vilão extremamente bem construído. Ponto. Você sabe que algo de muito ruim pode sair dali por ele ser completamente inconsequente. Episódios como o 3×05: The Reckoning já provaram isso perfeitamente. Assim, é esperado que ele aja de alguma forma vingativa e elaborada, só pra ver o circo pegar fogo. Então, ao final do episódio, quando Stephan aparentemente parece ter conseguido uma vantagem sobre ele, imagina-se que isso não durará muito tempo. O que nos leva a Caroline. Klaus é tão traiçoeiro, que até sua aparente benevolência com a vampira loira é vista com grande suspeita. O que o torna ainda mais perigoso. É difícil entender as reais intenções dele com essa aproximação, mas já é o suficiente para temermos pela saúde da trágica garota.

Por falar em Caroline, é bom ver também um episódio que sabe aproveitar todos seus personagens. Por menores que sejam as participações de alguns, é positiva essa movimentação geral na trama. E é nessas horas que vemos também a preocupação dos roteiristas em externar os sentimentos de cada um. Os diálogos aqui são especialmente bem colocados dada a situação cada vez mais alucinada da vida daquelas pessoas. Há uma preocupação em mostrar como, apesar de tudo, cada um tenta sobreviver da sua forma e procura alguma normalidade naquele mundo (mesmo que seja criando um funeral para uma amiga). Por isso não é de estranhar ver Elena questionar se ela não deveria ter morrido no acidente com os pais. Ou ver Caroline se lamentar que estará presa para sempre em seus 17 anos. Ou até Bonnie sentir uma falta antecipada de Jeremy. Tudo isso confere humanidade e verossimilhança a eles. E por mais que a direção carregue demais no melodrama dessas cenas… Ok, a gente deixa.

Mas toda essa ebulição de emoções dos personagens me faz retornar ao meu eterno dilema com Vampire Diaries. É perceptível que tudo tomou uma proporção extrema para todos. A série parece estar sempre atingindo seu ápice de acontecimentos. Portanto, para mim, como provavelmente haverá uma 4ª temporada, só imagino que as coisas continuem fluindo de forma crível caso haja algum tipo de salto temporal na trama ao final deste ano. É muita coisa para alguns adolescentes suportarem. Por enquanto, ainda bem que o roteiro está disposto a mostrar isso.

Só que, por mais que eu quisesse continuar a elogiar o episódio, nem tudo acontece de forma natural em relação ao papel dos personagens nesse capítulo. Ainda que eu ache que a função atualmente conferida a Alaric de pai substituto para Elena e Jeremy seja algo bem feito, o mesmo não pode ser dito de sua trama em Our Town. Vampire Diaries é muito competente em introduzir novos personagens, fazendo inclusive com que você se identifique rapidamente com eles. Mas a Dra. Fell me parece ter surgido de forma pouco natural. Sua aparição na série veio num momento abrupto, talvez sendo apenas um elemento que sirva como uma história paralela para Alaric. Ou não, já que ela parece estar ligada ao cliffhanger do final do episódio, que, bem, não gerou tanto interesse assim para mim. Provavelmente porque… enfim, quem liga para a Dra. Fell e pro carinha morto?

Claro que Vampire Diaries é capaz de reverter situações, e tramas que aparentemente eram irrelevantes acabam tornando-se de alguma importância para a história. Mas, por enquanto eu prefiro não pensar nisso e lembrar apenas que mais uma vez a série mostrou saber o que está fazendo.

Afinal, se Stephan continuar tão psicótico quanto agora, só coisa boa pode sair daí.

É hora de elevar o nível “filho da puta” ao máximo.

Outras observações:

– Como já disse, bom rever personagens que não haviam aparecido semana passada.

– Damon sempre merece espaço em qualquer texto. Por mais que aqui ele tenha se mostrado impressionantemente mais submisso, pelo menos ele teve a chance de arrancar o coração de um híbrido.

– Poucas vezes a série deu momentos e falas tão significativas a Zach Roerig, que interpreta Matt, como a cena da ponte com Elena. Bom ver que ele não arruinou tudo.

– Ok. Tô começando a ficar curioso com o que tem dentro daquele caixão.  Apostas?

– Por falar em caixões, não vejo a hora de todos os irmãos de Klaus saírem por aí tocando o terror.

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Discussão

3 comentários sobre “The Vampire Diaries – 3×11: Our Town

  1. Boa a análise do episódio. Eu vou ser sincera: não sou a maior fã desse episódio. Achei fraco, principalmente depois do último episódio. Mas teve seus pontos altos, claro.
    Honestamente, não acho que Klaus esteja somente planejando algo com relação a Caroline. Há algo de sincero ali. A cena dos dois foi sem dúvida uma das melhores do episódio, não só por ter sido uma cena bem elaborada e cheia de dúvidas e suspeitas, mas porque foi uma cena muito bonita, que demonstra sensibilidade. Em cima de um relacionamento que vai de mal a pior, os produtores parecem realmente querer dificultar o envolvimento entre Tyler e Caroline. E acho que foi uma cartada que ninguém esperava, tornar a Barbie Vampira a única capaz de fazer com que Klaus mostre um lado mais humano – ainda que anteriormente ele tenha demonstrado que família era algo sagrado para ele. Mas será mesmo? Porque ele faz questão de manter todos com uma adaga enfiada no peito, certo?
    Eu achei maravilhoso o que Klaus disse a ela. Cada palavra. Ele soube como tocar ela a fundo, e foi emocionante. Não há como dizer que tudo o que ele disse foi só parte de um plano para conquistar Liz Forbes, Matt e Caroline. Foi tudo profundo demais para ser só isso. Se bem que vindo de Julie Plec e Kevin Williamson, tudo é possível!
    Quanto à Dra. Fell, foi um pedido dos fãs que ela entrasse na série. Não necessariamente a Dra. Fell, mas a personagem Meredith, que é a melhor amiga de Elena nos livros e se destaca por sua força, pelo seu caráter e pela sua perspicácia… Até Damon teme e a admira. Ela é, sem dúvida, uma das melhores personagens dos livros de L.J. Smith e fazia muita falta na série. Ocorre que Caroline, que é absolutamente DETESTÁVEL nos livros, tomou o lugar dela como uma das melhores amigas de Elena. Enfim, achei errada a forma como resolveram trazê-la para a série, mas me parece que algum mistério vai envolvê-la, tanto que já foi anunciado que ela será personagem recorrente durante o restante da temporada.
    A cena em que Matt e Elena estão na ponte foi incrível. Fez o maior sentido o questionamento de Elena, e Matt mostrou-se capaz de entendê-la, como o ex-namorado e amigo de infância que deveria representar sempre, aquele que realmente a conhece a fundo e que só vemos aparecer dessa maneira nos livros, porque na série eles estão tão afastados que às vezes até esquecemos que eles já tiveram um relacionamento além da amizade.
    Sobre a cena do carro… Stefan, por que diabos você não jogou o carro da ponte? Ao assistir às prévias, era a cena que eu mais esperava. E EU QUERIA QUE O CARRO FOSSE JOGADO DA PONTE! Elena decididamente tem que virar uma vampira – mesmo que contra a própria vontade. Tudo bem que desde o primeiro episódio não existe qualquer relação que se possa estabelecer entre o livro e a série, mas… É frustrante ver que se afastam a cada episódio.
    De todo modo, Eduardo, você está de parabéns. Gosto de acompanhar suas análises.

    Publicado por Ingrid | 15/01/2012, 12:52
    • Então, Ingrid, obrigado pelo comentário dedicado!
      Com relação a essa provável aproximação entre Klaus e Caroline, eu me sentiria muito enganado pelo roteiro caso o sentimento dele por ela seja genuíno. Simplesmente porque isso não foi previamente trabalhado, e Caroline tem todos os motivos, como todos os outros personagens, para odiar Klaus. Seria algo muito pouco espontânea. Por isso acho que se trata de mais um estratagema desse grandessíssimo filho da puta.

      Publicado por eduardoross | 17/01/2012, 10:01
      • Os produtores andaram respondendo questões a respeito disso, e já negaram o envolvimento. Acho que talvez possa ter sido coisa de momento. Klaus é um cara solitário que está sempre em busca de alguém para ficar ao seu lado, seja como amigo, servo ou como simples meio para suas maldades. Mas não é possível que ele também não tenha NADA de humano, né?
        Vai, sim, aparecer alguém que vai mexer com ele, uma vampira, mas ninguém sabe quem é. Tem até uma atriz que trabalhou em Smallville que vai entrar pra série, e foi divulgado em nota:

        No episódio 16 da terceira temporada de The Vampire Diaries, Freeman vai interpretar Sage, alguém que é descrita como “sexy, destemida e com um sorriso diabólico.”

        A tal Sage faz parte do passado tanto dos Salvatore quanto dos Originais, o que é interessante. E há probabilidade de ser personagem recorrente. Mas eu gosto de Klaus, é um vilão inteligentemente trabalhado. Vamos ver o que ele aguarda para nós nos próximos episódios dessa loucura que é The Vampire Diaries. Por sinal, mal posso esperar para assistir ao próximo episódio e para ver a sua crítica, porque aparentemente vai juntar as reviravoltas que faltaram nesse episódio com as que já estavam reservadas para o próprio 3×12.

        Publicado por Ingrid | 18/01/2012, 20:39

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