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Séries de TV

Fringe – 4×08: Back To Where You’ve Never Been

Acho que agora podemos conversar.

Conspirações fazem bem a Fringe. Esse é um tema que esteve presente desde a própria concepção da série. Por isso é bom ver esse tom cheio de intrigas e dúvidas retornar em Back to where you’ve never been (ok, prometo não mais repetir o nome do episódio). Creio também que graças a essa atmosfera, eu tenha sentido, pela primeira vez na atual temporada, um maior direcionamento na história. Os sete primeiros episódios, como disse no outro texto, eram quase que casos isolados para nos ajudar a tomar noção das mudanças na linha do tempo e nos personagens.

Esse momento parece enfim ter terminado. Agora chega um daqueles instantes naturais numa série, quando os personagens resolvem agir, mudar a situação em que se encontram. E isso, pra Peter, é mais do que urgente. O seu desejo é perfeitamente ilustrado pela sequência do sonho no início do episódio. Não deixa de ser ingênua, mas serve claramente de contraponto para ele, que de forma alguma reconhece Walter e Olivia nas atuais versões dessa linha do tempo. É direto, é simples, mas funciona, e esse é o gancho para os jogos de aliança e confiança que vamos ver em diante.

É curioso como esse episódio serve propósitos semelhantes ao 3×08: Entrada, que mostra, na terceira temporada, Olivia tomando medidas drásticas para voltar à sua realidade, com Bolivia também retornando ao lado B. Aqui também há essa urgência, mas o episódio é bem mais trabalhado para evidenciar as relações construídas entre os personagens e como funciona a diplomacia entre os dois universos. Toda a tensão em Back… se sustenta precisamente na perspectiva do espectador em relação ao que os personagens não sabem uns sobre os outros. Pois se vemos que Olivia e o agente Lee estão usando Peter pra descobrir a origem dos shapeshifters 2.0, acreditando ser obra de Walternate, vemos em paralelo que o próprio Walternate está fazendo sua investigação sobre as criaturas.

O fato é que tudo se baseia justamente na dúvida de todos em relação a lealdade de Walternate, tanto que o agente Lee e a Olivia do lado B também começam a duvidar do Secretário de Defesa, e ele é uma das principais novas descobertas sobre esta linha do tempo que o episódio traz. Aparentemente, Walternate não é tão mesquinho quanto sua antiga versão. Ou, talvez, assim como Peter, eu esteja precipitado em confiar nele (vê como o episódio é bem sucedido em criar essas dinâmicas dúbias?). Mas, ao contrário do homem que na temporada anterior forçou o parto de Bolivia só para usar o próprio neto para ativar a máquina do apocalipse, esse Walternate se preocupou antes em certificar-se que o cientista, o Dr. Fayette, era de fato um shapeshifter, mostrando que também não pretende sair matando todos os outros que acredita estarem infiltrados no governo sem antes ter provas. Ou então ele só matou o Dr. Fayette naquele momento para ganhar a confiança de Peter. Enfim. Independente das reais intenções de Walternate, por ora ele deve se manter fiel à aliança que fez com Peter, já que ambos tem um inimigo em comum agora: o falecido Dr. Jones (em tempos sem Mad Men, é bom ver Jared Harris de novo).

Essa foi a grande revelação da temporada até agora, já que os shapeshifters estão presentes desde o episódio 4×01: Neither Here Nor There, e isso, como eu disse, dá um melhor senso de direção à trama. Aliás, faz todo o sentido o Dr. Jones continuar vivo nessa linha do tempo, já que Peter não estava lá para matá-lo, como fez na primeira temporada. Vai ser interessante ver como os personagens vão se alinhar em torno dessa ameaça, ainda mais quando o acordo feito entre Walternate e Peter parece ser mais uma armadilha emocional por parte do cientista. Afinal, seria ele capaz de ignorar o retorno do filho que morreu ainda criança nesta linha do tempo? Isso se torna mais patente na cena de Peter com sua mãe. Seriam eles capazes de deixá-lo ir eventualmente? Sem contar que o próprio Peter pode acabar se acostumando com a nova linha do tempo, por mais que agora ele diga que esta não é sua luta. Bem, Waltarnate já foi bastante convincente em tornar a ameaça de Dr. Jones uma luta de Peter.

Então, com um cliffhanger bem enigmático, o episódio não deixa de dar a sensação de que o espectador se sentiria mais recompensado caso ele fosse ao ar ainda na primeira parte da temporada, como havia sido planejado. Ele daria um sentimento de maior coesão ao início desse quarto ano, mas essas são questões que agora não vale mais debater.

O que importa é que, agora sim, parece que Fringe voltou.

Outras observações:

– Ainda sobre o cliffhanger, confesso ter ficado mais chocado com o fato de Setembro estar provavelmente morrendo do que com a “revelação” de que Olivia nunca poderá sobreviver. Esse plot é meio derivado de Lost, com toda aquela história de Charlie ter que morrer na 3ª temporada para os demais poderem sair da ilha. Não que a ideia da morte de Olivia tenha sido algo jogado agora. Desde o ano passado isso é trabalhado. Mas vamos ver no que dá.

– Sério, espero grandes coisas desse retorno de Dr. Jones.

– Uma pena ver tão pouco de Walter e Olivia do lado A. Se bem que esse Walter é tão deprimido que acho que sinto falta mesmo do antigo Walter, cuja personalidade foi mudada por Peter. Por outro lado, foi bom ver o agente Lee ter o que fazer em suas duas versões.

– Interessante ver que os roteiristas têm jogado novas pistas sobre essa linha do tempo. Olivia, por exemplo, parece não ter noção dos seus poderes.

– É sempre bom lembrar o excelente trabalho dos atores nessa série. Anna Torv continua sendo perfeita ao alterar os maneirismos entre suas duas Olivias. Ela pega detalhes da personalidade e te faz crer perfeitamente que aquelas são duas mulheres diferentes. E eu nem preciso falar de John Noble, certo?

– Bom, creio que o pau vá comer semana que vem. Com Bolivia e Lee (preciso de um apelido pra sua versão do lado B) indo de encontro a Jones e com a Fringe Division comprometida, já que esse Broyles provavelmente é um shapeshifter, só tenho boas expectativas para o próximo episódio.

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Discussão

3 comentários sobre “Fringe – 4×08: Back To Where You’ve Never Been

  1. adorei!

    Publicado por Carol | 16/01/2012, 21:47
  2. Deixarei uma pergunta: Vc comentou o episódio ” WALLFLOWER”? ( Não sei se escreve assim.Onde vemos Olívia com enxaqueca por causa das injeções dadas pelo pessoal de Missive Dinamic)

    Publicado por Rosana | 19/01/2012, 22:46

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