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Séries de TV

How I Met Your Mother – 7×14: 46 Minutes

O tempo passa…

Na semana passada, os criadores de HIMYM, Carter Bays e Craig Thomas, anunciaram, durante o tour de imprensa da Associação de Críticos de Televisão dos Estados Unidos, que ainda não tinham planos para encerrar a série. Eu, como todo ser vivo que pensa numa história como algo que tem início, meio e fim, fiquei um tanto desapontado. Não sou ingênuo a ponto de pensar que os roteiristas são extremamente sagazes e têm tudo planejado desde que escrevem a primeira linha do primeiro episódio. Na televisão, como na vida (aprenda isso, amigo idealista), o dinheiro fala mais alto. Esse é o grande dilema dos programas serializados. Se eles não dão audiência, são cortados antes de se desenvolverem plenamente. Se estão indo bem, serão prolongadas até você enjoar. Mas, em relação a HIMYM, o que me deixou com um rinoceronte atrás da orelha é o fato da série ter, digamos, um prazo de conclusão, já que, bem, uma hora Ted haverá de conhecer a tal da mãe e os filhos deles terão que nascer. Seria no mínimo prudente da parte dos criadores começar a pensar nisso. É incrível que HIMYM, depois de tanto tempo, ainda consiga se manter renovada, apostando em histórias que rompem com o que há de previsível nos sitcoms (e isso muito se deve ao seu aspecto altamente serializado, que a diferencia de outras comédias). Em HIMYM as histórias sempre evoluem de algum modo. Mas é difícil não se incomodar com a possibilidade de tudo estar seguindo a esmo. Afinal, um dos meus grandes temores como fã e espectador da série é que ela não termine no momento em que conhecermos a mãe. O programa não se chama “Como eu conheci sua mãe e como ela passou a andar com meus amigos”.  HIMYM pede uma conclusão desde a sua criação.

E por que eu digo tudo isso? Porque em 46 Minutes há uma forte relação com a ideia de amadurecimento, de passagem da vida, de que há um caminho a ser seguido, por mais que você não saiba onde fica o final. É perceptível que, ao menos, existe uma preocupação para mostrar uma mudança de direção na trajetória dos personagens. O episódio é muito eficiente em evidenciar como todos se sentem meio perdidos com o afastamento de uma parte do grupo, e isso não é porque Lily e Marsahall eram seus “líderes”. Tudo isso recebe um fechamento mais do que perfeito na cena final, em que todos se reúnem na “cabine” da cozinha do casal. Não que isso signifique que o cenário do MacLaren’s vai ser abandonado. Muito provavelmente não ocorrerá essa substituição. Mas essa sequência, com todos sentados ali, tem uma forte representação para as mudanças nas vidas de cada um, o que, em alguma hora, eles precisarão aceitar.

Sim, mais uma vez o episódio foi divertido. As piadas, principalmente as relacionadas ao grupo no clube de striptease, foram bem oportunas para retratar uma espécie de desespero geral, de falta de rumo. O problema é que dessa vez faltou um pouco de coesão à história. HIMYM consegue ser bem mais harmoniosa, algo que inclusive já foi alcançado em mais de uma ocasião nessa temporada. 46 Minutes é extremamente engraçado, e consegue tirar seus melhores momentos brincando justamente com seu próprio universo, seja retomando elementos de sua própria mitologia, como a Stripper Lily e Lights Out!, o único jogo de tabuleiro de sucesso do pai da ruiva, ou criando novos gags, como o “early relationship chicken”, quando Robin e Kevin acabam concordando em tudo que o outro propõe. Mas aqui tudo acontece de um modo um pouco caótico. A trama de Lily e Marshall na nova casa até se integra bem ao mote do episódio, mostrando a desorientação de ambos em um novo lar e em uma nova fase de suas vidas. Já isso não ocorre com Robin e Kevin, que parecem fechados em seu próprio draminha (apesar, repito, de algumas das piadas serem boas).

Há outras questões que contribuem um pouco para a desarmonia do episódio. HIMYM, vez ou outra, gosta de inovar e brincar com sua narrativa. Em alguma ocasiões, no entanto, ela parece tão orgulhosa de suas próprias sacadas, que acaba esbanjando boas ideias. É o caso do gag com a abertura da série. Da primeira vez, quando Barney se assume líder do grupo, ela vem como uma boa surpresa. Já depois, no clube de striptease, soa gratuita e deslocada. Por que inserir uma “abertura” no meio do episódio? Enfim, divagações.

Essas implicâncias significam que foi ruim? Lógico que não. 46 Minutes é mais uma demonstração da habilidade dos roteiristas de HIMYM, cientes da evolução da sua história.

Espero apenas que estejam cientes também que essa evolução deve apontar para um fim.

Outras observações:

– Ponto alto do episódio: os pensamentos de cada um quando Stripper Lily propõe uma festa no matadouro. Aliás, imagine uma festa num matadouro.

– Outros pensamentos pertinentes: Robin imaginando se Kevin estava apaixonado pela stripper.

– Coitado do Larry. Ele não tem um apelido.

– De novo sobre a cena final, HIMYM consegue, como poucas, costurar e resumir toda uma trama em um único momento.

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