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Séries de TV

À primeira vista: Alcatraz – 1×01: Pilot

Será que essa série vai te prender? Rá.

Há um momento, ao final deste piloto de Alcatraz, que serve como uma amostra perfeita para o que a série é. Enquanto o agente Emerson Hauser explica como todos os detentos do presídio sumiram subitamente em 1963, ao mesmo tempo em que a detetive Rebecca Madsen constata que seu avô era também um presidiário em Alcatraz e que foi ele quem assassinou seu parceiro na polícia, o Dr. Diego Soto, personagem de Jorge Garcia, solta a espontânea frase: “A cabeça de mais alguém aí tá explodindo?”. E o episódio todo se resume basicamente a essa sentença: os roteiristas parecem tão deslumbrados com sua perspicaz trama de mistério, que insistem em apontar para você como ela é impressionantemente intrigante. Quer dizer, eles chegam ao ponto de colocar, na boca de um personagem, uma frase para expor sua suposta genialidade, como se dissessem: “Olha só, gente, que legal essa história!”. É muito amor pelo trabalho ou desespero?

Bom, independente dos motivos desse arroubo de autopromoção, causa irritação o modo como Alcatraz se acha super importante. Conversando com minha namorada, ela comentou como a trilha sonora a incomodou, e foi aí que eu percebi que este era mais um exemplo dessa característica exibicionista da série. A música, a todo momento, parece querer te lembrar do suspense da trama, e você fica esperando os violinos aumentarem até te ensurdecerem quando um dos personagens faz a mais  óbvia das descobertas (esses exageros da trilha se tornam mais evidentes nos momentos que precedem os intervalos).

Tudo bem, a gente entendeu. A premissa de Alcatraz é, de fato, minimamente instigante e essa foi uma das razões que me levaram a conferir o piloto, além de esta ser mais uma série com o selo J. J. Abrams de qualidade, que costuma acertar nas produções nas quais investe. Mas o problema é que não há qualquer empatia com os personagens e as situações mostradas na tela. A heroína, Rebecca Madsen, parece mais uma detetive durona genérica. Sam Neil não demonstra emoção alguma como Emerson Hauser. E, bem, o personagem de Jorge Garcia é apenas uma derivação supostamente mais inteligente de Hurley, e nós só esboçamos o mínimo interesse por ele graças às boas lembranças de Lost.

Talvez essa falta de identificação com os personagens se deva apenas à maldição do Piloto, afinal esse é um tipo de episódio que requer extrema habilidade por parte dos roteiristas. É preciso apresentar toda a situação, introduzir todo um universo e ainda criar um evento único de pouco mais de 40 minutos. O desenvolvimento mais sutil de alguns aspectos acaba comprometido pela necessidade de mostrar todo o ambiente da série. Ao menos Alcatraz apresenta um conceito que pode ser interessante a longo prazo. Aparentemente, cada episódio irá tratar de um detento da “Rocha”, explorando separadamente a relação de cada presidiário com a história toda. Ao mesmo tempo, essa estrutura me incomoda um pouco, já que a série acaba se aproximando muito de um estilo procedural, com um caso por semana (mas aí é questão de gosto pessoal mesmo).

Outro problema para esse modelo, pelo menos em Alcatraz, é a falta de habilidade em usar o detento em questão e aliar suas ações ao que é mostrado nos flashbacks. No Piloto, Jack Sylvane é o primeiro criminoso a surgir (adjetivo que pode estar errado, já que tudo aqui supostamente não é o que parece). É igualmente difícil você entender os motivos do cara, uma vez que ele reaparece em 2012, tirando, claro, seu desejo de vingança com relação ao antigo vice-diretor do presídio, E. B. Tiller. De resto, os flashbacks parecem mais uma montagem rasa de coisas ruins que aconteceram a Sylvane em Alcatraz do que algo que sirva realmente para humanizar o personagem. Mostra-se somente que o tal Tiller implicava com ele e que sua mulher acabou casando-se com seu irmão.

Claro que tudo isso pode ser deliberadamente evasivo para alimentar o “grande mistério” da trama. Só que em nada ajuda o completo vazio de propósitos apresentado até agora.

Alcatraz, no momento, parece estar contando vantagem. Mas, bem, se até Fringe, outra série de Abrams que começou lenta e sem graça, se tornou o primor que é hoje… Quem sou eu para agourar essa série? Estou comparando Alcatraz a Fringe? Vai saber…

A série estreou com um episódio duplo, então em breve coloco aqui as impressões sobre a segunda parte. Quem sabe isso vai dar em algum lugar?

Outras observações:

– Vamos combinar que Jorge Garcia não é lá um ator muito versátil, então é inevitável perceber alguns traços de Hurley ali. Além disso, os roteiristas insistem em colocar o Diego Soto como alguma espécie de nerd.

– Saudades de Sam Neilem Jurassic Park.Saudadesde Jurassic Park.

– Tem algumas coisas muito convenientes na história. Tipo o “tio” que criou a Rebecca Madsen ter também trabalhado em Alcatraz.

– Tá na hora dessas emissoras darem uma série nova que preste.

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Discussão

Um comentário sobre “À primeira vista: Alcatraz – 1×01: Pilot

  1. Quando estive em Alcatraz, em maio, ouvi de todos os guias, várias vezes, que a série estava sendo gravada lá. A locação é boa. Tomara que depois a trama melhore.

    Publicado por Fernando Duarte | 19/01/2012, 18:15

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