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Séries de TV

The Vampire Diaries – 3×12: The Ties That Bind

Oh! Você por aqui?

Além dos muitos outros trunfos de Vampire Diaries que já comentei por aqui, mais uma dessas virtudes ficou evidente essa semana. A trama da série custa a ficar estacionada, e dificilmente você vai ver os personagens se perderem em alguma situação por muito tempo. Sendo assim, se há três episódios atrás Stefan estava em posse dos caixões da família de Klaus, agora a situação já se reverteu novamente. A dinâmica da narrativa de Vampire Diaries é o que a torna tão… suculenta (sim, talvez seja esse o adjetivo mesmo). Sem contar que os roteiristas sempre movimentam a trama apresentando novos rostos ou trazendo de volta velhos conhecidos (e o melhor disso é que novos personagens = mais gente morta de forma inesperada).

Aqui conhecemos a nunca mencionada mãe de Bonnie, Abby Bennett. Bom, claro que sua inserção na história se dá, como em muitos outros casos, de um modo conveniente. Particularmente, acho que o recurso de usar sonhos dos personagens como elementos desencadeadores de uma trama deve ser feito com muita cautela para não parecer aleatório demais. Lost sabia fazer isso bem (o que Lost não sabia fazer bem?), mas ali se tratava de uma ilha mágica que interferia na sanidade das pessoas. Em Vampire Diaries, bem… Eles também vivem num mundo sobrenatural, então acho que não tive maiores problemas com a apresentação da mãe de Bonnie aqui, ainda mais quando sua presença na história se justifica pela interferência das bruxas do capeta que moram na mansão abandonada.

O problema, na verdade, com esse arco de Bonnie no episódio é que, bem, primeiro trata-se de um capítulo focado na bruxa insossa. Lógico, já reclamei em outras ocasiões do mau desenvolvimento da personagem, que fica relegada a ser a amiguinha da protagonista gostosa. Talvez essa seja uma boa oportunidade pra aprofundar a história pregressa dela, mas, até aqui, Bonnie continua sendo aquela que é chamada somente quando há algum assunto “bruxo” pra ser resolvido. Muitas vezes ela se torna um mero artifício dos roteiristas e, quem sabe, agora eles consigam incutir um pouco mais de interesse em relação a ela. A reaproximação de Bonnie com a mãe foi bem conduzida, sim, apresentando de modo convincente os motivos de Abby para ter sumido da vida da garota. Apesar de a princípio eu ter tido dificuldade em engolir a relação que Abby alegava ter tido com a mãe de Elena, depois me convenci que não se tratava de um furo no roteiro, além do mais, isso se encaixou perfeitamente com a presença de Mikael em Mystic Falls, o que ainda não havia sido explicado. A questão é que Vampire Diaries se baseia em uma sucessão tão frenética de acontecimentos que isso às vezes nos atrapalha na percepção maior da trama, e acabamos nos perdendo em meio de tantas informações, o que pode soar como um truque dos roteiristas para que não percebamos as eventuais falhas na história. Não creio que tenha sido o caso aqui. Inclusive, essa história da mãe de Bonnie abre precedentes para um arco que, imagino eu, vai relacionar os pais de todos os personagens principais.

À parte dessas conjecturas, acho que o real deslize no desenvolvimento da história desse episódio esteve justamente nessa trama central. Há um momento do capítulo que, pelo menos a mim, causou certa confusão, e essa é uma culpa atribuída tanto ao roteiro quanto à montagem. No momento em que você descobre que Abby está comprometida, com medo que Klaus mate seu filho adotivo, Jamie, inesperadamente somos jogados para uma cena entre Damon e Klaus na mansão das bruxas do capeta. Por alguns momentos você fica sem entender como fomos parar ali, ou como fomos levados àquele momento de confronto entre os dois. Quer dizer, como Klaus descobriu que os caixões estavam na mansão? Logicamente, vemos, minutos antes, Abby mostrando a Bonnie uma mensagem para que ela alerte seus amigos. Mas Vampire Diaries está tão preocupada em te surpreender que, às vezes, essas transições são pouco naturais. Claro, você eventualmente entende que, para salvar Jamie, Bonnie certamente revelou o paradeiro dos caixões, isso sem antes avisar a Damon para que cuidasse de Klaus. Mas é preciso cuidado nessa tentativa incessante de pegar o espectador de surpresa, o que, ainda assim, é um dos grandes charmes da série. Não estou dizendo para os roteiristas subestimarem a inteligência do seu público e dar tudo de mão beijada. Estou apontando apenas que as falhas ficam mais perceptíveis quando essas transições são abruptas demais. Precisamos, ao menos, saber o porquê de estarmos sendo surpreendidos.

Correndo por fora em The Ties That Bind está a história de Caroline e de Alaric. Mais uma vez é preciso elogiar a capacidade de Vampire Diaries de conduzir naturalmente, e no momento certo, suas tramas. A volta do pai de Caroline para ajudar Tyler é mais do que bem-vinda, ainda mais sendo ele uma espécie de general nazista que acredita no aperfeiçoamento através da tortura psicológica e física. Esse é um direcionamento perfeito para a história da Barbie, além de ajudar a tornar o personagem de Tyler interessante, colocando em evidência sua vontade de recuperar Caroline e não se tornar um lacaio do Klaus. E o que é melhor, com certeza muitos conflitos podem sair daí, graças aos métodos pouco ortodoxos de Bill Forbes.

Já Alaric e sua Doutora, bem, uma pena inclusive terem arrastado Damon para essa trama aqui, deixando-o apagado no episódio. Mais uma vez entendo a necessidade de dar uma história própria ao professor Larica, e a cena entre ele e Elena, que mostra sua busca em esquecer Jenna, caiu muito bem. Mas, até aqui, essa parte da história não mostrou a que veio, apenas que a Dra. Fell trapaceia dando sangue de vampiro a seus pacientes.

Vampire Diaries já ganhou meu respeito há algum tempo, então, não duvido que eles saibam para onde estão indo.

Além do quê… Usando mais uma vez a oportunidade de matarmos a saudade de antigos conhecidos…

Elijah voltou, rebanho de corno!

(sim, algumas expressões ganham mais peso em português, tá? Esse negócio de “fulano is back, bitches” é puro colonialismo cultural :D )

Outras observações:

– Como deixei claro na crítica anterior, acho bastante válida a involução (ou evolução) de Stefan como vilão. O personagem pedia uma mudança de tom há algum tempo, e é possível criar maior interesse por ele caso ache um meio termo entre a escrotidão e a proteção à Elena. Por isso fiquei relativamente preocupado com os indícios que os ciúmes entre ele e Damon voltarão a ter destaque.

– Mais uma vez, ficam aqui meus protestos por Damon não ter tido sua cota de filha da putisse alcançada nesse episódio. Se bem que ressuscitar Elijah já é sacanagem suficiente.

– Acho sempre instigante esses plots que aguçam nossa imaginação. A busca pelo caixão lacrado é um desses casos. Só espero que, seja lá o que estiver lá dentro, recompense todo o mistério.

– Há um perturbador quadro com dois bezerros na cozinha de Abby Bennett. Aposto que são pistas para uma futura trama envolvendo animais satânicos devoradores de carne.

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Discussão

3 comentários sobre “The Vampire Diaries – 3×12: The Ties That Bind

  1. Eu acho que sei o que tem no caixão lacrado! Mas ouvi falar que você se arrepia com spoliers… hahaha

    Publicado por Carol | 21/01/2012, 23:12
  2. spoilers*

    Publicado por Carol | 21/01/2012, 23:16
  3. Eu ri horrores com algumas partes de sua análise, Eduardo! Como eu sabia que esse episódio ia ser um sucesso convertido em suas palavras, eu mal podia esperar para ler e não me decepcionei! Falou de tudo e mais um pouco.
    Quanto às apostas para saber o que tem dentro do caixão, eu espero que fosse a tal “doppelgänger” original, Charlotte. Vamos ver se ela é tão bonita quando a descrevem… Mas quando penso que existe todo um mistério envolvendo inclusive as bruxas, penso que pode ser a bruxa original também, mãe de Niklaus.
    A volta de Elijah tem tudo para ser o ponto alto dos próximos episódios. Espero não me decepcionar! E também espero ansiosamente pela volta do Damon sacana de sempre. Porque Damon só é Damon se tiver sua cota de “filha da putisse”, como você mesmo diz.
    Agora não brinque com os animais satânicos devoradores de carne porque eles podem existir mesmo! Fiquei surpresa que eles ainda não trouxeram os gêmeos demoníacos (kitsunes) nem nos fizeram viajar pela Dimensão das Trevas – mas também duvido que o farão. Se bem que, com uma possível quarta temporada, eles precisarão recorrer a esse tipo de coisa pra ter mais o que contar.

    Publicado por Ingrid | 23/01/2012, 12:13

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