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Séries de TV

Alcatraz – 1×02: Ernest Cobb

Head shot!

Sem precisar perder tempo com diálogos expositivos para apresentar didaticamente toda a premissa da série, e com o dever de dar um prosseguimento mais direto para a história, Alcatraz apresenta uma leve melhora em seu segundo episódio. Contribui para isso também o fato de o caso central deste capítulo, o tal do Ernest Cobb, ser mais interessante que o anterior e representar um maior desafio aos protagonistas. Há mais calma na condução da trama aqui e, em alguns momentos, ela inclusive chega a alcançar algum suspense.

Pela natureza peculiar de Cobb, ele, desde o início, chama mais atenção do que o prisioneiro do capítulo anterior, Jack Sylvane. Seu metodismo, sua história nebulosa e enigmática, seus traços praticamente psicóticos conferem todo um “charme” ao seu personagem, e mesmo que os flashbacks não acrescentem muito ao que já sabíamos sobre ele, era curioso vê-lo transgredir só para buscar a solidão completa. Isso sem mencionar a quase que total falta de padrão em seus assassinatos, tornando-o uma figura difícil de decifrar e enaltecendo a imprevisibilidade de suas ações. Isto tanto é verdade, que o desafio que ele representa é confirmado no momento em que Cobb atira em Lucy, adicionando uma boa reviravolta à trama.

Mas se a narrativa principal neste capítulo é uma evolução, ainda é perceptível alguns dos problemas conferidos no piloto e que se confirmam já como um defeito da série. Mais uma vez me vem a trilha sonora, que parece não conseguir se controlar nos momentos em que deve empregar dramaticidade. Em uma cena em que Cobb está em seu quarto de hotel, por exemplo, pragmaticamente se preparando para montar seu rifle e partir para cometer outros assassinatos, a música se mostra intensa e ensurdecedora, como se quisesse mostrar cada violino presente na orquestra, ao invés de utilizar um tema mais contido. O que também não ajuda a tornar a experiência mais palatável são os recursos de roteiros para movimentar a trama, principalmente em relação à investigação. Muitos deles soam forçados e pouco espontâneos. Eu particularmente sinto dificuldade em aceitar um personagem que tira alguma conclusão acertada muito rapidamente. Logo no início do episódio, quando a equipe da polícia chega ao parque de diversões, Rebecca acerta precisamente o ponto de onde Cobb estava atirando e, em seguida, vai exatamente ao local onde o cartucho das balas caiu. Ou então talvez eu não entenda patavinas de investigações policiais. Ou então eu sou burro mesmo.  Vá ler outra coisa.

Ok, ainda que você não ligue para esses incômodos, algo que se torna mais patente ao passar mais tempo com os personagens são suas personalidades altamente derivativas. Aliás, a série como um todo tem essa característica, por tentar assimilar alguns aspectos que deram certo em outras produções do gênero (e de séries de J. J. Abrams em particular). Mas esse aspecto é mais visto mesmo no trio de protagonistas, que, até o momento, ainda não conseguiram captar a minha simpatia, pelo menos. O fato é que eles são uma tentativa de emular os três principais personagens de Fringe: Rebecca é Olivia, embora não tão fria; Diego Soto é Walter, ambos fazendo o papel do especialista que ajuda nos casos; e Emerson Hauser, bem, de alguma forma se encaixa como Peter. Portanto, ver os roteiristas tentarem replicar essas fórmulas não deixa de ser irritante.

Não é uma tarefa fácil também se livrar das comparações. Mas acho que Alcatraz pode encontrar seu próprio caminho, aproveitando suas ideias originais. Enquanto a série pesar a mão na sua execução e mantiver personagens que não têm vida própria, ela continuará parecendo uma cópia genérica. Os roteiristas mostraram nesse episódio que parecem ter uma ideia geral para a história e esse é um sentimento que, ao menos, me conforta.

Com sua possibilidade de armar tramas interessantes a partir de cada presidiário, explorando suas particularidades, Alcatraz me deixou um pouco curioso pra ver até onde isso vai dar.

Mas continue sabendo que estamos bem cientes de suas limitações.

Outras observações:

– Gostei da abordagem dada ao Dr. Soto aqui. Pelo menos em relação à sua insegurança em ter que lidar diariamente com homicídios e homens potencialmente perigosos. Ajuda a tornar a situação mais crível a humanizar o personagem que, apesar de suas limitações, é o mais vivo até aqui.

– Bom ver também que alguns momentos do passado de Alcatraz podem ser revisitados a partir do ponto de vista de outros presos.

– A reviravolta do final… bem, intrigante mas não dá pra não notar a grande importância que a direção e o roteiro parecem dar àquele momento, querendo retratá-lo mais chocante do que realmente é.

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