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Séries de TV

Alcatraz – 1×03: Kit Nelson

Traumas de infância.

Ok, me custou a admitir, mas Alcatraz está conseguindo manter meu interesse com seus “prisioneiros da semana”. Pelo segundo episódio seguido a série conseguiu apresentar um caso curioso que, ao mesmo tempo, se relacionou bem com os dramas e conflitos dos personagens. Acredite, pra mim é difícil reconhecer isso, já que tenho uma certa aversão a seriados procedimentais do tipo “case of the week”. Mas Alcatraz conseguiu dar o seu “molho” nessa fórmula, dedicando a cada fugitivo uma história particular instigante (pelo menos até certo ponto. Falo sobre isso depois).

Não estou dizendo que a trama de Kit Nelson seja a mais original do mundo. Muitas outras séries policiais já trataram de pedófilos, infanticidas e caras bacanas em geral. Só que aqui eu senti um maior trabalho na tentativa de gerar um relacionamento ambíguo com a personalidade do presidiário. Me passou a impressão de que o roteiro tentava causar uma espécie de Síndrome de Estocolmo no espectador, ao mostrar como Kit Nelson era humilhado e maltratado na prisão. Existe mais de uma cena que apela para a dor física e emocional dele, ao tempo em que, no presente, o vemos cruelmente explorar a companhia de um garoto. É bom ver que a série não tenta ser extremamente puritana, arriscando em jogar pra o espectador essas sensações. Lógico que, invariavelmente, você sente ódio do cara, já que, bem, ele é um filho da puta que mata e explora crianças.

Ainda assim, acho que Alcatraz não encontrou o tom certo para seus flashbacks até o momento. Apesar deles terem uma certa função emocional nesse episódio, suas cenas continuam fracas de conteúdo, de informação, e, em alguns momentos, soam como desperdício de tempo de tela. Vejamos: Alcatraz certamente pega de Lost essa fórmula de flashbacks centralizados em personagens (e aqui mais uma vez as derivações de Alcatraz ficam nítidas). A diferença é que em Lost nós tínhamos personagens com extensas histórias de vida, com passados misteriosos e que seriam revisitados em muitos outros episódios, além do quê, suas personalidades tinham relação direta com o enigma central da série. No caso de Alcatraz, pelo menos ao que me parece, teremos um capítulo dedicado a um dos prisioneiros, e tudo o que precisamos saber deles será abordado uma única vez. A história de cada um fica restringida e os flashbacks acabam servindo como um mero artifício para que entendamos o caso em questão. Depois disso, foda-se quem era Kit Nelson. Talvez se os roteiristas começarem a explorar uma inter-relação entre as tramas desses flashbacks, apresentando interferências de presos que já conhecemos na história de outros personagens, o recurso se torne mais válido.

De um modo geral, então, eu gostei do episódio. Como já disse, ponto positivo por mostrar como o caso afetou o Dr. Diego Soto, inclusive dando pistas para algum assunto mal resolvido em sua infância. Estabelecer um passado sombrio para os personagens é sempre uma boa forma de nos fazer se interessar por eles e sentir uma maior aproximação de seus dramas. E, pela primeira vez até aqui, não senti muitos resquícios de Hurley na interpretação de Jorge Garcia. Ele aprendeu a separar um pouco mais os trejeitos e tiques que caracterizavam o personagem que o tornou famoso do seu papel atual.

Já em um canto frio e nublado da história está Emerson Hauser, e o problema não é apenas a antipatia do personagem. Sam Neil continua sem conseguir transmitir uma emoção sequer de forma convincente (uau! Derrubar a mesa no chão é tão furioso de sua parte, Sam!). Inclusive, até agora a série não conseguiu dar a ele um pouco mais de humanidade através do problema de Lucy. Ao invés de torná-lo mais sensível, só o que vemos é um burocrata que gosta de dar lição de moral nos outros. Sua leve “redenção” ao final do episódio caiu um pouco melhor, com ele salvando Rebecca e o garoto no último minuto. Bem… clichês tão aí para serem usados, né?

O veredicto até aqui é o seguinte: Alcatraz pode crescer e tem um mistério consistente pra isso. Aos poucos nos acostumamos com alguns de seus vícios e deixamos passar… Mas tudo ainda é um pouco frágil, e se os roteiristas não souberem dar dinamismo à história, a série pode ficar repetitiva e presa na sua fórmula. O bacana é que eles ainda conseguem sutilmente lançar algumas informações curiosas, como no final, em que vemos que o tal Dr. Beauregard também voltou de Alcatraz.

Falta agora minha paciência para investir em mais uma série.

Outras observações:

– Acho que estou realmente com problemas. Parece que a série fez algum tipo de bruxaria pra camuflar seus defeitos, e até a trilha sonora não me incomodou dessa vez.

– Claro, totalmente compreensível que o Dr. Soto estivesse captando a escuta policial NO MOMENTO em que falavam do desaparecimento do menino. Hum… acho que deixo passar essa.

– A série maneirou um pouco nas conclusões sherlockianas essa semana. Pelo menos a detetive Rebecca não solucionou o caso em 5 minutos.

– Meio patético o excesso de exposição no diálogo entre Kit Nelson e seu pai. Uma cena inteira pra nos explicar didaticamente tudo o que o cara tinha feito ao matar o irmão. Sutileza mandou lembranças.

– QUEM tem acesso fácil a um abrigo antibombas???

– Acho que fui muito bonzinho. Devo escrever outra crítica.

– Não, sério. Tirando essas bobagens, eu gostei do episódio. :D

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