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Séries de TV

Fringe – 4×10: Forced Perspective

Profecias são para os fracos.

Depois de toda a movimentação dos dois últimos episódios, era natural que Fringe desse uma parada para refletir. Forced Perspective dá um tempo na trama de Robert Jones e deixa que a Fringe Division se organize para descobrir o que fazer com essa ameaça. Então, é bom ver a série tratar logo de outros elementos dessa temporada, que aos poucos vai se tornando mais rica em detalhes e perguntas. Agora que todos respiraram um pouco, Olivia começa a se indagar sobre o prenúncio de sua morte dado pelo “Homem Careca”, que ela ainda não conhece como sendo um Observador.

Pois é, mais uma vez Fringe fez o dever de casa e encaminhou direitinho as coisas, trazendo mais um daqueles casos que não reverbera no arco da temporada, mas que é pontualmente dramático e que também nos ajuda a ponderar e entender melhor alguns mistérios desse ano. E foi isso. Pronto, acabou. Sério, o episódio foi um clássico exemplar da boa ficção científica da série aliada ao seu drama único, que aborda como a ciência (ou… a paranormalidade) muda o conceito de “Mundo” de algumas pessoas. Foi exatamente o que tivemos aqui, através da habilidade precognitiva de Emily (o que por si só já é uma interferência em seu modo de ver o mundo).

Claro que eu poderia reclamar aqui da armadilha que mencionei na crítica passada, e de meu receio de que Fringe tenha se aproximado perigosamente dela em Forced Perspective. Me refiro ao reaproveitamento de ideias como forma de dar uma espécie de revival aos fãs, ao mesmo tempo que tenta angariar (improváveis) novos espectadores. Falo isso pois o caso do episódio foi um repeteco de um da 1ª temporada, mais especificamente do 1×03: The Ghost Network. No entanto, ao contrário daquela época menos brilhante da série, aqui eles trouxeram o elemento humano para o problema em questão, sem contar nas implicações diretas do caso em Olivia, mostrando mais uma vez que a série aprendeu a relacionar o seu lado mais procedimental com a história de vida dos personagens. Sem contar que em The Ghost Network a razão e os motivos por trás da precognição do personagem em questão estavam ligados a um fenômeno completamente diferente do apresentado aqui. O caso, naquela ocasião, era mais pesadamente ligado à ficção científica e à complicação desnecessária que Fringe costumava dar à sua mitologia. Por isso fico feliz em perceber que os roteiristas driblaram maiores comparações, mas a sensação de “já vi isso antes” era inevitável.

Só que apesar de os roteiristas terem tido êxito na construção dramática e na crescente fragilidade de Olivia (se é que posso chamar de “fragilidade”) diante de sua possível morte, o mesmo não podemos dizer do desdobramento da história. Sim, Forced Perception foi previsível, ainda que o caso central partisse de uma premissa que poderia dar múltiplos resultados. Confesso que não esperava a morte da garota, e este foi um toque especial para a conclusão, mas a própria condução do caso não trouxe maiores reviravoltas. Isso se torna um tanto mais frustrante ao vermos que o roteiro não consegue nos enganar quando tenta nos fazer acreditar que o Sr. Duncan é apenas mais uma vítima vista por Emily. Isso pode ser rabugentisse minha, mas foram um dos poucos elementos que contribuíram para fazer desse apenas um episódio “ok”.

Logicamente que ele funcionou em outros níveis, como eu já disse. E quando o episódio funciona, é nas partes que mais atiçam nosso interesse. Em uma temporada que a questão temporal e a discussão sobre destino estão mais presentes que nunca, a condição de Emily nos leva a pensar sobre o problema central da temporada. Afinal, se Olivia conseguiu mudar o desenrolar da visão de Emily, isso significa que algumas coisas são mutáveis, certo? O próprio fato de Peter ter alterado a linha do tempo dele talvez indique isso. Mas quais as repercussões a longo prazo disso? Olivia ainda vai morrer? O final do episódio não deixa de ser fatalista, só que traz sua ponta de esperança, principalmente para Olivia (sim, mesmo que o Observador, como vimos mais uma vez explicado nesse episódio, seja capaz de estar em todas as linhas do tempo e a tenha visto morrer em todas elas). A impressão que fica é que existem pontos fixos no que aconteceu e no que está para acontecer, algo imutável, que por mais desvios que ocorram nas linhas do tempo, esse “algo” se manterá fiel em todas elas. E eu entendo esse “algo” como o fator humano, a personalidade de todos os envolvidos nesses eventos, que mesmo tendo vidas diferentes, vão se relacionar com o mundo de um modo semelhante. Portanto, Olivia pode ter salvo a vida do Sr. Duncan e de muitos outros naquele tribunal, mas todos ali vão manter suas visões e, creio eu, invariavelmente vão cumprir seus destinos, como Emily. (Ou seja: Olivia vai morrer. Olivia vai morrer? Ora, não acreditem em mim, eu posso estar completamente errado na minha interpretação).

Começo a sentir mais admiração pelo que os roteiristas têm buscado nessa temporada, ainda mais ao ver a reaproximação entre Peter e Walter, estabelecendo o clima familiar que tínhamos anteriormente. Continuo a ver esse ano como um jogo de percepções e repercussões, e o quebra-cabeça que Fringe está montando em nossa cabeça começa a parecer ainda mais interessante.

Mesmo que pra isso precisemos passar por um episódio “normal”.

Outras observações:

– É incrível como Fringe, mesmo em sua situação de fraca audiência, não poupa nos efeitos especiais. A cena em que Emily passeia pelos escombros do tribunal é um manjar para os olhos.

– Gostaria de ver ponderações futuras de Peter sobre a informação que Olivia partilhou com ele. Afinal, tudo o que ele fez foi para salvá-la de sua morte. O que ele deve pensar ao saber que os Observadores a viram morrer em todas as linhas do tempo?

– Acho que Fringe sempre merece uma nota por suas atuações. Então lá vai: Anna Torv aprendeu MUITO bem a ser Olivia.

– Ok, a trama que envolve Nina Sharp começa a chamar mais minha atenção. Ela pareceu genuinamente tocada ao ver Olivia chamá-la de mãe. Então… ótima forma de demonstrar carinho essa, em que dopamos nossos entes queridos para injetarmos neles substâncias perigosas.

– Mais uma informação interessante solta organicamente em um diálogo: nessa linha do tempo Olivia também foi testada com cortexiphan na infância. É interessante perceber que, por causa disso, o episódio 4×07: Wallflower funciona melhor em retrospecto, já que podemos compreender a identificação de Olivia com o rapaz invisível, que também sofreu com testes quando criança. O curioso é que ela não menciona com Nina Sharp os seus próprios traumas naquela ocasião.

– Bom… Final mais enigmático impossível. Juro que não sei se fiquei com medo ou surpreso com a imagem do Observador no final. Não entendi muito bem ele ali.

– Perdoem as redundâncias ou outros problemas. Isso se chama sono.

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