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Séries de TV

The Vampire Diaries – 3×13: Bringing Out The Dead

Quem é morto sempre aparece.

Merecia um abraço e uma taça de verbena o roteirista que teve a brilhante ideia do jantar de compadres entre Klaus, Elijah, Damon e Stefan. Cada garfada poderia resultar num olho arrancado. Vampire Diaries conhece muito bem as peças de sua trama, e uma situação dessas não poderia ser menos tensa. Os personagens são tão bem estabelecidos que o mero conceito do encontro entre eles já é o suficiente para temermos pelo pior. Pois vejamos, então: Elijah havia sido recém-ressuscitado (com penteado novo e tudo); Stefan ainda está no seu atual modo “foda-se”; e Damon é Damon, Klaus é Klaus, homem é homem, menino é menino, macaco é macaco e viado é viado. Quer dizer, uma reunião dessas teria que ter alguma repercussão marcante. Vampire Diaries não desperdiça esses momentos e, como eu já apontei outras vezes, tem um ótimo timing para seguir adiante com suas tramas. Nada fica estacionado por muito tempo aqui, e os roteiristas sabem a hora e a maneira de continuarem sua história. E o melhor disso tudo é que os sacanas ainda conseguem nos surpreender. Realmente fui pego despreparado pela grande reunião familiar dos Originais. Assim, desde já esse episódio marca um ponto de virada na série que era imaginado por mim desde o capítulo final da 2ª temporada, quando vemos que Klaus carrega consigo os caixões dos seus irmãos. A partir dali comecei a imaginar quando teríamos a chance de ver todos juntos e felizes decepando as jugulares dos desavisados.

Enfim esse momento chegou, e enquanto Damon achava que estava colocando em prática o seu plano mais sagaz, ele não poderia contar com a misericórdia da Mamãe Original. Esse cliffhanger foi muito curioso, por sinal. Klaus mentiu o tempo dizendo que o pai havia matado sua mãe, quando na verdade o que entendíamos é que ele tinha cometido o matricídio. Ora, quais foram as circunstâncias da “morte” dela, afinal? Ela, como a bruxa original, também não pode ser simplesmente assassinada? Confira cenas dos próximos capítulos. E por falar em próximos capítulos, essa reviravolta é mais um exemplo de como os roteiristas não temem em explorar os limites da história antes mesmo dela se aproximar do final. Eles parecem muito seguros de como irão desamarrar essa nova intriga que acabaram de criar.

Fora o grande acontecimento central, Bringing Out The Dead ainda teve fôlego para conduzir histórias paralelas e lidar com importantes momentos para outros personagens. Aproveitando o mote de “trazer de volta os mortos”, o episódio ressuscitou também Bill Forbes (mesmo que momentaneamente) e Alaric (pela vigésima terceira vez só nessa temporada). Claro, a linha narrativa desse capítulo não é muito firme, e essas tramas não são sustentadas por uma história central, então seus desenvolvimentos acontecem sem praticamente qualquer relação. Mesmo assim, os roteiristas conseguem dar a Caroline uma situação emocionante e uma despedida digna a seu pai. Para uma série repleta de mortes, Vampire Diaries tem, de fato, habilidade para dar o toque certo a despedidas mais significativas (mesmo que a trilha sonora adolescente não ajude muito, às vezes). E, assim como os personagens, nós nunca conseguimos antecipar quando essas perdas vão acontecer, o que contribui para o tom sentimental dessas cenas. Caroline, assim como todos os outros, passou por muito em pouco tempo, e ainda teremos que esperar para ver as consequências reais dessa morte para ela, que perde um aliado importante na tentativa de humanizar Tyler.

Por falar no assassinato de Bill Forbes, a trama que anteriormente parecia avulsa agora começa a tomar contornos mais promissores. Se todo mundo tava pouco se fodendo para a morte do médico legista que aconteceu há dois episódios atrás, agora o serial killer de Mystic Falls parece ter mais importância, a partir do momento em que passa a afetar personagens com quem nos importamos. Tudo bem, a parte da “morte” da Alaric não chega a causar grande consternação. A menos que isso seja um prenúncio do que vai acontecer com o professor em um futuro próximo, só o que os roteiristas conseguiram até agora foi transformar a morte do personagem numa piada, graças às sucessivas tentativas de liquidá-lo. “Ah, tá faltando umas duas páginas nesse roteiro. Já sei! Vamos fingir que matamos o Alaric de novo!”. Apesar disso, esse arco começa a ficar intrigante, simplesmente porque não consigo ter a mínima ideia do responsável. Aparentemente o maníaco não é a Dra. Fell, ainda que tudo indique sua culpa. De todo modo, a médica deve estar de alguma forma ligada a esses acontecimentos, caso contrário ela não teria qualquer função na história. Outra possibilidade que vi chutada por aí foi de que Katherine estaria por trás de tudo. A VamPuta pode estar sumida, mas acho que ela tem coisas melhores a fazer. Esse episódio deixou mesmo muitas coisas para digerirmos depois.

Ainda que essa história tenha ficado meio deslocada do jantar em família, dá pra ver que Vampire Diaries sabe manter mais de uma linha narrativa ao mesmo tempo, tirando situações muito boas de cada uma ao mesmo tempo. Para completar, ainda tivemos indicações importantes, principalmente em relação à Petrova original, que certamente era alguma ninfetinha que se mudou com o grupinho medieval para desbravar a América. Gosto de pensar que teremos mais um episódio de flashback para vermos como a disputa pelo cabacinho de ouro começou entre Klaus e Elijah e se perpetuou até Elena e os irmãos Salvatore. Mas enquanto essa hora não chega, fica aqui apenas o meu apelo para que não tenhamos que voltar à eterna picuinha entre Damon e Stefan. Sei que isso é necessário, pois é a própria base da série, e é algo que os fãs gostam de ver… mas, meu povo, Vampire Diaries já evoluiu bastante. Evoluam também com ela.

Vamos celebrar o sangue jorrando!

Outras observações:

– Tudo bem, sei que passei por cima do momento íntimo entre Bonnie e sua mãe… mas nada de mais saiu dali. As duas aparecem como simples instrumentos que servem para abrir o caixão (Bonnie é usada desse modo desde o início da série). Nada da relação das duas foi muito aprofundado. Aliás, é bom notar: como Katerina Graham é má atriz. Ela parece achar que torcer a boca é uma expressão válida para qualquer tipo de sensação. Desagradável ainda ver isso depois de três anos, quando até atores medianos, como Paul Wesley, passaram por uma evolução em suas atuações.

– Para os que gostam de contar os casais, parece mesmo que a tendência é um revival entre Elena e Matt, algo que senti desde o 3×11: Our Town, que mostra a cena dos dois na ponte. Aquela foi uma sequência bem feita, portanto não estranho uma maior aproximação dos dois. E talvez isso seja interessante, para adicionar ainda mais conflito ao triângulo central. Sem contar que, do ponto de vista de Klaus, é bastante proveitoso Elena ter várias filhinhas dopplegangers. Já posso imaginar a trama da 4ª temporada: a caça pelo bebê-monstro. Se bem que até Crepúsculo já fez isso.

– Mais uma vez, gosto de ver o trabalho que fizeram com Stefan essa temporada. Ele está se tornando ainda mais trágico, e de um jeito bom. Mesmo gostando ainda de Elena, ele sente que não tem mais nada a perder.

– Tópicos interessantes para as próximas reuniões familiares: cada um contando como matou o próprio pai.

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Discussão

Um comentário sobre “The Vampire Diaries – 3×13: Bringing Out The Dead

  1. Motoca, adorei esse seu post! Ficou fresco, fácil e divertido :)

    Publicado por Carol | 07/02/2012, 23:14

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