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Séries de TV

Fringe – 4×11/12/13: Making Angels / Welcome To Westfield / A Better Human Being

Back to black.

Juro que o blog vai continuar. É bom começar com uma afirmação dessas para tirar qualquer dúvida que tenha ficado de que eu não iria perseverar com o site. E acredite, isso vale mais pra mim do que pra quem lê esta humilde página. Enfim. Esses próximos dias vou fazer um apanhado de todos os episódios que deixei passar nas últimas semanas. Não gosto de revisar os episódios nesse formato, mas creio que vá combinar com o que pretendo fazer daqui pra frente com os textos. Quero fazer comentários mais condensados, menos extensos, mas que ainda assim toquem nos pontos centrais do que é mostrado em cada capítulo. Tenho percebido que divago muito. Além disso, quero passar a escrever sobre uma maior variedade de seriados por aqui, pois tem muita coisa boa no ar (e sobre filmes também… assim espero. Tenho que cumprir o que prometi na descrição do blog, certo?). Então, pra dar conta de tudo (e da vida), não dá pra perder mais muito tempo em um único texto.

É isso aí, vamos logo à Fringe, porque isso aqui já tá ficando mais longo do que eu gostaria de me permitir.

Essa sequência de episódios formou um belo arco narrativo. Funcionou de modo gradativo, à medida que Olivia ia recobrando seus… sentimentos. Aliás, desde que retornou do seu hiato, Fringe tem apresentado uma melhora significativa na trama dessa temporada, e não falo isso só pelas respostas que estamos obtendo. Mas, como diria Jack, o Estripador, vamos por partes (ai, que piada Jornal Hoje, né, Sandra? “Claro, Evaristo!”).

Bom, o 4×11: Making Angels me causou certa estranheza. Não “estranho” num sentido surrealista ou… metaforicamente ambíguo. A estranheza dele vem de momentos desconcertantes, que parecem pouco espontâneos. Tipo piadas num funeral. Havia um tom artificial no modo como Bolivia interagiu com Walter e as demais versões do lado A. Sua introdução ali serviu apenas para realçar o olhar de Olivia sobre Peter. De toda forma, não foi somente esse lado que me causou desconforto. Sim, estou falando da trama de Astrid. Não que ela tenha sido propriamente ruim. Só que esta pequena história da personagem traz uma reação dupla. Primeiro, é sempre bom termos novas informações sobre aquelas pessoas que acompanhamos semanalmente. Isso aprofunda o universo da série, mostra o que se passa “nos bastidores”, amplia nossa visão de tudo e torna aquele mundo mais palpável. Por outro lado, soa deslocado o fato de termos esperado quatro anos para conhecermos uma pontinha da vida de Astrid. É muito tempo para “descobrirmos” uma personagem que sempre esteve ali. E mais: tudo soou deslocado do que ocorria no caso. Se tornou uma mínima trama paralela, que deveria ter maior destaque junto ao caso da semana, que, este sim, era brilhante, por partir de uma básica premissa: o que aconteceria se um humano entrasse em contato com a “tecnologia” dos Observadores? O episódio ainda levanta essas questões sobre o que realmente torna esses misteriosos personagens tão especiais, além de, de quebra, lidar com um dos temas mais proeminentes da temporada: o destino e o tempo. E só mais um adendo: me pareceu absurdo os Observadores comentarem entre si somente agora o retorno de Peter. Para seres onipresentes eles são meio lentos, não? Ainda assim, é sempre bom ver a série disposta a viajar dentro do seu próprio universo, mesmo que pareça displicente nessa tentativa.

Mas foi no 4×12: Welcome To Westfield que Fringe nos relembrou de sua melhor forma. Esse episódio, e seu caso central, me conquistaram logo pela engenhosidade da trama. Tudo parecia misterioso, tinha no ar um misto de Twin Peaks e Arquivo X. Toda a atmosfera de terror (que, caso queira, você pode ainda remeter aos melhores filmes de zumbi) e o mistério envolvendo o caso o tornaram extremamente apreensivo, sem falar nos indícios cada vez mais evidentes das alterações nas memórias de Olivia. Tudo aquilo que esperávamos tornou-se ainda mais forte nesse capítulo. Ele trouxe a genuína interação que sempre conhecemos entre os personagens principais, e isso, para os fãs da série, era o que mais faltava nessa temporada. Welcome To Westfield me ganhou por essa simplicidade no trato dessas relações, pelo retorno de momentos essenciais para a série e, claro, como eu já disse, por um caso digno da mais pura ficção científica, com humanos se tornando mutantes, interseção de universos e tudo mais. Para completar, o episódio estabelece de vez David Robert Jones como um perigosíssimo vilão, do jeito que o conhecemos, sendo ele capaz de utilizar uma cidade inteira como palco para testar suas experiências. Ele se conclui com chave de ouro com o ótimo cliffhanger que sela a transformação de Olivia, levantando ainda mais perguntas sobre o efeito real do sumiço de Peter. E como eu não podia deixar de observar, esse episódio nos leva a outro, da 2ª temporada, o 2×15: Jacksonville, um dos grandes divisores de água para a série. Neste capítulo, uma perturbação entre os universos leva um prédio em Nova York a “fundir” suas versões do lado A e do lado B, mais ou menos como vimos acontecer com os habitantes de Westfield.

Por fim, o 4×13: A Better Human Being dá continuidade de maneira fluida aos temas que vimos no episódio anterior. Apesar de Fringe entrar um pouco no piloto automático aqui, utilizando um caso que pouco ecoa nas ações dos personagens ou na trama principal, ele acaba servindo como uma inevitável aproximação entre Peter e Olivia, forçando-os a lidar com suas dúvidas. Digo “no piloto automático” pois a série sabe muito bem, com sutileza, trazer casos que representem o estado emocional da trama, servindo como excelentes metáforas para o que vemos na tela. Aqui o caso é como uma história paralela. Este aparente “desleixo” é até notado pelo modo inconcluso e abrupto pelo qual o caso termina. Ao matar o cientista que deu vida aos bebês de proveta, tudo fica bem. Não há uma solução para a história. Isso pode ser bom por um lado, mas aqui dá uma sensação de vazio. Mas é incrível que mesmo optando por não misturar muito as duas histórias, os roteiristas consigam criar um caso extremamente intrigante. Sem contar na notável habilidade que esses escritores adquiriram para lidar com os dramas dos personagens. As conversas de Peter e Olivia contêm o essencial, aquilo que deve ser dito. Tudo isso ajudar a dar veracidade a esse dilema tão surreal vivido pelos dois. Olivia diz que sabe quem é, mas tem as memórias de outra versão sua. Peter traz as incertezas dos erros passados. Contribui para isso a atuação dos dois, portanto, mais pontos para Fringe e um dos melhores elencos que temos o prazer de acompanhar na TV hoje. E continuando com a sequência de ganchos tensos, A Better Human Being termina esfregando em nossa cara toda a tragicidade do relacionamento dos dois. Parece que o grande segredo da natureza, em Fringe, é a necessidade de manter Peter e Olivia separados. Ela acaba capturada e, enfim, confirmamos que Nina Sharp havia sido trocada por um shapeshifter há algum tempo. Ou seja… o que David Robert Jones tanto quer ao colocar cortexiphan em Olivia?

Em uma temporada que vem brincando cada vez mais com o que achamos que sabemos, é bom, ao menos, reconhecer o retorno das velhas versões dos nossos personagens.

Bom, e dessa vez não teremos “outras observações”.

Um beijo na careca dos Observadores.

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