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Séries de TV

The Vampire Diaries – 3×14/15: Dangerous Liaisons / All My Children

De mão cheia.

Vampire Diaries não poderia estar em um momento mais promissor em termos da história a ser desenvolvida. Chegamos a um ponto que parece ser o clímax da série. A questão é que a narrativa aqui é tão alucinada que já tivemos diversos outros ápices durante a jornada do seriado. Mas após a reunião de todos os Originais, parece que estamos diante dos instantes com maior potencial para Vampire Diaries. Por incrível que pareça, no entanto, as coisas não estão saindo como a ementa prometia.

O 3×14: Dangerous Liaisons, por exemplo, dá a continuidade mais do que esperada para o retorno de Esther e suas crias. Estranhamente, o modo com que apresentam esse novo panorama soou um tanto absurdo. A ideia do baile é boa, é típica do deslumbrante mundo adolescente de Vampire Diaries, mas não deixa de ser extrapolado. A cidade toda em um evento promovido pelo mais antigo clã de seres sobrenaturais? Ok, todo mundo foi hipnotizado, suponho. O problema é que o tom irreal de toda a festa ficou por conta do suingue e da troca de casais. Depois de terminado o episódio, descobri que ele havia ido ao ar na semana do Dia dos Namorados americano, o que indica o excesso de flertes e casaizinhos formados.

Particularmente acho um problema irritante introduzir algumas datas especiais nas tramas de um seriado, pois isso acaba pautando o tema e a condução do episódio, amarrando-o obrigatoriamente a um enredo pré-estabelecido. Justamente por isso, neste episódio os feromônios dos personagens estavam a todo vapor, o que levou à formação de relações aparentemente aleatórias. Tivemos Matt e Rebekah, Klaus e Caroline, a suruba de Damon, Stefan e Elena… Algumas dessas situações eram previstas e naturais, ainda mais no triângulo amoroso central, que voltou a ser trabalhado mais pesadamente nos últimos capítulos.  Mas fora o abrupto interesse de Rebekah por Matt “Cara de Chuchu”, o envolvimento de Klaus e Caroline é o que mais me preocupa. Desde o momento que os roteiristas apresentaram essa possibilidade, no episódio 3×11: Our Town, achei o interesse do vampirão badass pela Barbie algo pouco espontâneo. Mas genuíno. Sim, o roteiro tem um cuidado ao tratar disso, criando um verdadeiro clima entre os dois. Entretanto, sou da opinião de que Klaus não precisa disso. Ele já se estabeleceu como um vilão totalmente inconsequente, e uma demonstração de paixão como essa parece fora do personagem, ainda que seu lado humano tenha sido muito bem trabalho por meio de flashbacks e da história dos Originais. O fato é que ninguém entende de onde veio esse interesse repentino por Caroline, o que torna a situação ainda mais artificial. Por outro lado, a condução do plano de Esther para acabar com os filhos é o que de há de mais mirabolante na série neste momento. Tudo aqui funciona com a tensão de sempre, ainda mais quando há a possibilidade de Elijah se sentir traído. Só para concluir, queria lembrar de novo a retomada das brigas entre Damon e Stefan por Elena, que tomam um novo tom a partir de agora, o que é muito bem vindo, dando a impressão de que os roteiristas buscam uma abordagem nova pra esse romance já batido. Com Damon se tornando aquele que se importa mais com Elena agora, as consequências que virão depois podem ser curiosas. Ou não.

Pois é. O problema é que o 3×15: All My Children, ao mesmo tempo em que trata com naturalidade a trama central, cheia de possibilidades e reviravoltas, como foi mostrado aqui pela reação de Elijah diante da traição de Elena, também deixa evidente um inédito descontrole por parte dos roteiristas. Isso é representado pelo desenlace do episódio, no qual, para salvar (mais uma vez) Elena, Damon e Stefan “sacrificam” a mãe de Bonnie. Sim, tive a sensação de que isso já foi longe demais, e não porque exatamente sinto alguma afeição específica pela bruxa sem sal ou por sua mãe. Vampire Diaries, com essa pequena solução para essa história, chega bem próxima de cruzar a linha do plausível, por mais fantástica e fantasiosa que seja sua narrativa. Se por um lado a transformação da mãe de Bonnie em vampira atesta a imprevisibilidade da série e sua capacidade de ousar, por outro dá a impressão de que Elena sempre será salva por um artifício mirabolante e completamente inconsequente. Ainda que no final Caroline expresse exatamente as palavras que indicam como todos ali estão em risco por conta do cabacinho de ouro da doppleganger, começa a ser repetitiva essa “salvação no último minuto”. Me sinto mais confortável, no entanto, ao ver que possivelmente essas decisões extremas serão tratadas daqui em diante, aumentando inclusive o desejo de Elena de se sacrificar pelos amigos. Afinal, ela tem mais do que uma mera dívida com todos eles.

E esse não foi o único incômodo. All My Children parece ter vindo para abalar de vez algumas das minhas concepções sobre a série. Algo nesse episódio me despertou para problemas eminentes na narrativa. O fato é que há um excesso de tramas em Vampire Diaries, e pela primeira vez isso começa a incomodar e a transparecer. Coisas são deixadas pelo caminho justamente pela incapacidade de lidar com todas as histórias. Enquanto novos elementos são adicionados, criando uma “gordura” no seriado, como o proeminente relacionamento entre Klaus e Caroline, a trama totalmente paralela de Alaric e o assassino de Mystic Falls, outras foram colocadas no congelador, esperando a hora de serem conduzidas novamente. Jeremy precisou ser temporariamente cortado, Taylor mal aparece para fazer contraponto aos flertes de Caroline, o plot dos fantasmas, tão importante no início da temporada, também foi jogado para escanteio e nunca mais mencionado. Vampire Diaries precisa urgentemente unir todas as essas pontas, fazer uma verdadeira limpa e então lidar com o que realmente importa de uma forma mais calma.

Mas a esperança é sempre alta aqui.

Logicamente que essa confusão e falta de direcionamento para alguns pontos não desmerece a série. Ela continua uma delícia de se assistir, imprevisível como nunca e sempre buscando inovar. Precisa só tomar cuidado para não engordar muito.

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