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Séries de TV

Fringe – 4×14: The End of All Things

Onde tudo começa? Onde tudo termina?

Quem diria que Fringe conseguiria dar respostas satisfatórias em uma história aparentemente tão difícil de desamarrar? Eu diria. Se em momentos anteriores, mais especificamente durante o início dessa temporada, a série dava sinais de que não sabia os rumos que deveria tomar, dando a impressão de que o enredo engendrado era maior que a capacidade dos roteiristas, agora, mais do que nunca, tudo parece caminhar de forma correta. Fringe não tem perdido tempo ultimamente, e não falo isso como um babão que não gosta de episódios mais contemplativos e só quer respostas prontas e diretas. Mas, ainda assim, gosto de ver que os roteiristas parecem mesmo conhecer sua própria mitologia.

A revelação da natureza dos Observadores não poderia vir de um modo mais emblemático. Por mais que o diálogo entre Peter e Setembro tenha quase caído na armadilha de ser expositivo demais, tudo foi superado pela forma criada para nos expor este mistério. Uma viagem à mente do Observador é mais do que representativa para um personagem tão enigmático, e não havia outra maneira dessa conversa acontecer que não fosse através do compartilhamento de mentes diante do perigo eminente que Olivia corria. E quer saber o que é melhor de toda essa situação? Fringe concede, mas não tira a beleza dos demais mistérios. Ora, como Henry poderia ser fatal para aquele universo? Por que Setembro buscou corrigir seu erro, eliminando Peter da linha temporal, mas agora parece querer que ele persista em sua busca? A permanência dessas questões mostra como há algo maior, que nossos olhos ainda não conseguem ver, que a trama vai além da capacidade de Setembro ou dos outros entenderem o que está acontecendo, pois, afinal, e isto é o mais significativo, os Observadores são humanos. São do futuro, são desenvolvidos, mas humanos. Eles erram. Se para esses personagens tudo começou como uma análise não participativa do universo, a partir do momento em que houve uma interferência não seria a hora de começar a questionar o que eles achavam que sabiam? Assim como nós sempre nos questionamos a respeito do que realmente sabemos sobre Fringe? Setembro parece estar só nessa empreitada, e ele acredita que Peter deva permanecer e descobrir sozinho como consertar (ou manter) a realidade que tanto almeja.

Como eu disse, não haveria outro modo de toda essa revelação acontecer. Com os personagens diante de uma grande ameaça que há tempos não enfrentavam, unido à toda a confusão de Peter sobre o que realmente está acontecendo, ele teria que recorrer a uma medida drástica para achar sua amada (mesmo que esta medida tenha caído diretamente no seu colo). Mesmo que as cenas no esconderijo de Robert Jones não tenham prendido tanto minha atenção, já que para mim parecia óbvio que tudo se resolveria de um modo convencional, com Peter chegando para salvar Olivia, estes momentos não deixaram de ser apreensivos, com direito a reviravoltas e excelentes atuações de Anna Torv e Blair Brown. O clima ameaçador estava correto, enaltecido pelo fato de não termos a mais pálida ideia dos objetivos de Robert Jones. Portanto, por mais que esta parte do episódio tenha redundado na investigação inócua de Peter com a câmera encontrada no apartamento de Olivia e o jogo de chantagem feito pelo vilão, a atmosfera de perigo esteve ligada a todo instante.

O mais significativo dessa sensação de perigo foi justamente vermos como a relação de devoção entre Peter e Olivia foi bem construída ao longo desses anos. Isso realça nossa torcida para que ele chegue a tempo para salvá-la, ainda mais agora que a agente Dunham parece ser aquela nossa velha conhecida. Mas Peter também mudou. Você não pode cruzar o caminho de um Observador, vislumbrar o Big Bang e continuar impassível. Saber sobre a existência do seu filho, descobrir que ele não deveria ter nascido e que existem outros que continuam interferindo em sua vida, tudo serviu como prova ainda maior de que ele não deveria simplesmente aceitar a situação e viver com uma mulher que poderia não ser a sua.

A sequência final é de cortar o coração, especialmente sua última cena, com toda a desolação exposta no rosto de Olivia. Isso prova o ponto ótimo em que a temporada se encontra: a série nos faz sentir por uma personagem que sabemos quem é, mas que talvez não conheçamos. É preciso muita habilidade para continuar nesse jogo sem se perder no caminho.

Fringe chega a um momento peculiar em sua jornada: em nenhuma outra temporada as consequências de sua história pareciam tão obscuras e incertas. E isso é ótimo.

Outras observações:

– Ok, mais um hiato de um mês é cruel demais. Ainda mais quando só o que nos resta é a cara tristinha de Anna Torv.

– Me pergunto agora se o lado B vai ter alguma participação proeminente no desenrolar desse resto de temporada.

– Sim, a revelação da natureza dos Observadores foi muito coesa pra mim. Algum insatisfeito com essa resolução?

– Claro que Olivia não precisava dizer exatamente o que todos estávamos pensando, mas a pergunta é mesmo pertinente: se Robert Jones já sabe cruzar entre os dois universos, para quê ativar os poderes da agente Dunham? Quão poderosa ela realmente é?

– Ai, ai, Astrid… depois de terem te dado momentos tão importantes em Making Angels, como podem relegá-la de novo a um estado tão coadjuvante? Sua cena de maior destaque veio quando pediu para ir ao banheiro.

– E Lincoln Lee? Será que poderá ser feliz com a sua própria Olivia?

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