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Séries de TV

How I Met Your Mother – 7×15/16/17: The Burning Beekeeper / The Drunk Train / No Pressure

How I Met Your Mother e a escada para o sucesso.

HIMYM às vezes dá suas guinadas. Depois de dois episódios deliciosos e repletos dos momentos emotivos e divertidos que a série sabe oferecer bem, os roteiristas se deixam levar pelo deslumbramento da forma. O que quero dizer com isso? Começando com o 7×15: The Burning Beekeeper, parece que HIMYM precisou dar um leve tropeço e subir gradativamente para culminar na catarse que foi o 7×17: No Pressure. Mas, de novo, vamos por partes.

Quando digo que os roteiristas da série se deslumbram com a forma, não estou insinuando que eles não devam criar episódios inventivos. Até porque HIMYM sabe fazer isso muito bem, fugindo de sua estrutura habitual, como já provou até mesmo nessa temporada com o 7×12: Symphony of Illumination, ou com o fantástico capítulo da 6ª temporada, o 6×04: Subway Wars. Só que nem sempre dá pra acertar. The Burning Beekeeper surge como uma tentativa mais clara de criar um episódio de formato único, dinâmico e com cada trama engenhosamente interligada. Mas o que justamente prejudica essa empreitada aqui é a falta de ritmo. O capítulo se imagina ágil, só que não consegue dar uma fluidez natural aos seus acontecimentos, criando uma curiosa sensação: as piadas parecem fora do lugar. Esse foi um dos episódios que dei menos risadas até aqui (o que não é um demérito, já que HIMYM é capaz de superar isso com outras tantas boas ideias), e, portanto, não conseguimos ficar fisgados pelo conceito da história se passar em três cômodos diferentes da casa de Lily e Marshall. Como estamos sempre dependendo de saber o que aconteceu nas outras partes da casa, parece que nos faltam… “informações” para que apreciemos as piadas. Sem contar que algumas delas beiram o infantil, como a obsessão de Barney com seu pênis (algo que parece tirado de Two and a Half Men). A canalhice de Barney sempre fica mais agradável quando é exposta através de seus tiques, ou como uma repercussão de seus traumas reprimidos. O que não é o caso aqui. E o que dizer da incoerente trama de Robin? Me soou como algo inventado de última hora para dar a ela alguma função aqui. Para finalizar, até o desenlace do episódio não chegou a provocar os bons sentimentos que a série consegue conferir, uma vez que Marshall se demite para ser recontratado 5 minutos depois (o que todos sabiam que aconteceria).

Já no 7×16: The Drunk Train, o objetivo do episódio parece mais definido. Toda a representação do “trem dos bêbados” é mais do que apropriada para o momento que Ted e Barney vivem. Ambos amorosamente desolados, sem nenhuma verdadeira paixão para se apegarem e com suas emoções estão no fundo do poço. Claro que até tudo isso funcionar os roteiristas passam por um excesso de situações descartáveis. Sinto como se todo aquele papinho entre Barney e a stripper no bar poderia ter sido encurtado, uma vez que estas cenas resultam em poucos momentos realmente aproveitáveis. Tudo gira entorno de um gag mais do que batido para a série: Barney flertando incansavelmente para conquistar uma mulher. Mais uma vez: não que isso seja ruim, mas depois de sete anos algumas coisas não rendem mais da mesma forma. Se as intenções do roteiro tivessem ficado mais evidentes desde o início, mostrando ainda mais a fragilidade do personagem nesse momento, talvez toda a situação pudesse ter funcionado melhor. Creio que, tirando o deslize na condução dessa parte da história, o resto corre bem. Claro, tive a sensação de que a trama de Marshall e Lily também não traz nada de novo para os dois, apostando em mais piadas recorrentes com o casal ( com exceção do impagável flashforward que mostra os dois disputando para ver quem vai cuidar do bebê). Logicamente não poderia deixar de comentar uma das tramas mais significativas do episódio: o rompimento de Kevin e Robin. Nunca gostei verdadeiramente do personagem de Kal Penn, apesar do psiquiatra ter me conquistado em alguns momentos pelo verdadeiro amor que demonstrava por Robin. Somente me incomoda um pouco o fato deles terem terminado sem que ela tenha sido completamente sincera com ele, não mencionando o caso que teve com Barney. De todo modo, esta situação aqui tem um objetivo mais dramático, para fazer a história da temporada avançar. O problema é que ela é pesada demais, e parece ter sido conduzida de modo apressado, quase que sem pausa para divertimentos ou piadas. Ainda assim, as motivações de Robin para o fim do relacionamento são acertadas e combinam com o turbilhão de emoções da personagem.

Logicamente que toda essa condução de The Drunk Train, um tanto atrapalhada, às vezes, arma tudo de uma maneira ideal para o 7×17: No Pressure. Esse é um daqueles episódios que mencionei no início do texto: ele mistura perfeitamente as risadas com o drama romântico da série. Particularmente sou um grande fã dos capítulos que tratam mais diretamente da trama da identidade da mãe. Por isso acho a cena que inicia o episódio perfeita. Sempre me impressiona o modo como os roteiristas amarram toda as pontas dessa história, introduzindo sempre novos momentos significativos, ao mesmo tempo em que relacionam o que acontecerá no futuro com as ações de Ted no presente. Aprecio muito essa narrativa cheia de pistas, que está continuamente nos apresentando uma faceta nova daquela história que antes desconhecíamos. Aqui tudo é feito dessa forma. E mais importante ainda: HIMYM lida com precisão com um de seus maiores relacionamentos. O ato de Ted “se desprender” de Robin marca um importante ponto de virada para a série (ainda que tenha demorado cinco anos para isso acontecer). Ao mesmo tempo, os roteiristas usam a trama de Marshall, Lily e Barney para abordar também a evolução deste último, mesmo que ele passe todo o episódio obcecado com uma sex tape do casal de amigos. Afinal, isso enaltece a posição de Barney de revelar finalmente o que aconteceu entre ele e Robin, expondo toda a sua fragilidade. O que leva ao libertador momento em que ele arremessa o videocassete de Ted no chão, quase que como um símbolo para o modo como o protagonista se apega a velhas esperanças. Agora, sem videocassete e sem Robin, o mundo volta a ser um lugar repleto de guarda-chuvas amarelos. Simples. Mas perfeito para a série.

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Discussão

Um comentário sobre “How I Met Your Mother – 7×15/16/17: The Burning Beekeeper / The Drunk Train / No Pressure

  1. Já venho decepcionada com HIMYM há um bom tempo. Pra mim, a trama da mãe já me cansou e os personagens estão precisando de alguma coisa para ficarem mais instigantes. Tive a mesma sensação que você sobre o último episódio. Achei muito forçada a reação de Robin e sinceramente, fiquei aliviada de saber que parece que a coisa da relação Ted x Robin finalmente teve um ponto final. O final também foi bacana, mas queria mesmo que as coisas andassem de vez, que Ted conhecesse logo esse mulher dele, mostrasse outras coisas. Sei que essa não parece ser a intenção da série, mas pra mim, a fórmula está cansando.

    Publicado por Lorena | 27/02/2012, 14:34

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